Por que usar o celular antes de dormir dificulta o sono? Veja explicações

O uso do celular antes de dormir interfere em mecanismos naturais do organismo responsáveis por induzir o adormecimento

Por Bruna Castelo Branco.

Fonte: Agência Einstein

Você apaga a luz, se deita e promete dar “só mais uma olhadinha” nas redes sociais. Quando percebe, já passou um bom tempo rolando o feed. Depois de finalmente largar o celular, porém, o cansaço do dia parece ter ido embora, substituído por uma mente acelerada que dificulta o sono e pode levar até a quadro de insônia.

A situação é comum e está longe de ser coincidência. Há explicações biológicas para isso: o uso do celular antes de dormir interfere em mecanismos naturais do organismo responsáveis por induzir o adormecimento.

O uso do celular antes de dormir interfere em mecanismos naturais do organismo responsáveis por induzir o adormecimento. | Foto: Ilustrativa/Pexels

O fenômeno pode ser compreendido a partir de três fatores principais:

Luz artificial

O primeiro impacto vem da luz emitida pelas telas. A iluminação artificial, clara e fria, composta por ondas curtas, estimula receptores neurais que influenciam a produção de melatonina — hormônio liberado naturalmente à noite e responsável por sinalizar ao corpo que é hora de dormir.

Assim, a luz de celulares, TVs, computadores e tablets funciona como um falso “amanhecer” para o cérebro. Mesmo cansado, o organismo interpreta que ainda é dia e demora a desacelerar. É como tentar dormir enquanto alguém acende a luz do quarto repetidas vezes.

Conteúdo que prende a atenção

Não é apenas a luz que atrapalha. O tipo de conteúdo consumido à noite também interfere no sono. Redes sociais, jogos, mensagens e vídeos estimulam o estado de alerta emocional e cognitivo.

Esses conteúdos são pensados para manter a atenção do usuário e ativam o sistema de vigília — o mesmo que nos mantém despertos durante o dia. Como consequência, o cérebro leva mais tempo para relaxar, mesmo após o celular ser deixado de lado.

A iluminação artificial, clara e fria, composta por ondas curtas, estimula receptores neurais que influenciam a produção de melatonina. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Tempo roubado do sono

Outro fator frequentemente ignorado é o tempo de sono perdido. Quem planeja dormir às 22h raramente contabiliza os “minutinhos” no celular que acabam se transformando em meia hora ou mais já deitado na cama.

Ao longo de vários dias, essas pequenas perdas se acumulam e reduzem de forma significativa o descanso, deixando o corpo mais cansado, irritado e menos produtivo.

Abolir o celular é a solução?

Apesar dos prejuízos associados ao uso excessivo do celular à noite, abandoná-lo completamente não é, necessariamente, a melhor saída. O segredo está na adoção de hábitos mais saudáveis ao longo do dia.

A exposição à luz solar pela manhã ajuda o organismo a diferenciar dia e noite. À noite, desligar os dispositivos eletrônicos de 15 a 30 minutos antes de dormir já faz diferença. Esse intervalo funciona como um “pôr do sol digital”, permitindo que o corpo entenda que é hora de relaxar.

Nesse período, atividades mais tranquilas podem ajudar, como ler um livro, ouvir uma meditação com a tela apagada, ajustar a iluminação do quarto ou simplesmente desacelerar sem estímulos constantes. Deixar o celular carregando fora do quarto também reduz a tentação de checar notificações e favorece um sono mais reparador.

Apesar dos prejuízos associados ao uso excessivo do celular à noite, abandoná-lo completamente não é, necessariamente, a melhor saída. | Foto: Ilustrativa/Pexels

Envelhecimento do cérebro

Pessoas com insônia crônica podem apresentar mais alterações cerebrais relacionadas ao declínio da memória e da capacidade de raciocínio com o avanço da idade. A conclusão é de um estudo publicado na revista Neurology.

A insônia crônica é caracterizada pela dificuldade de dormir ou manter o sono por, no mínimo, três dias por semana, durante três meses ou mais. De acordo com a pesquisa, o distúrbio está associado a um risco 40% maior de desenvolver demência ou comprometimento cognitivo leve — o que corresponde a um envelhecimento cerebral equivalente a 3,5 anos adicionais.

Um estudo brasileiro, realizado por pesquisadores do Instituto do Sono, revelou que a insônia não é apenas um sintoma secundário da depressão, mas parte integrante da doença. O resultado veio após pesquisadores examinarem a relação entre o risco genético para problemas de sono e sintomas de depressão, condição que atinge 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, em uma amostra do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, com pessoas entre 20 e 80 anos.

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