Fiéis e familiares homenageiam Mãe Carmen do Gantois em missa de sétimo dia
Mãe Carmen de Oxaguiã, líder do Terreiro do Gantois, recebeu mais uma homenagem em Salvador
Por Bruna Castelo Branco.
Mãe Carmen de Oxaguiã, líder do Terreiro do Gantois, recebeu mais uma homenagem nesta sexta-feira (2), em Salvador. Familiares, amigos e fiéis participaram da missa de sétimo dia da ialorixá, celebrada na Igreja Nossa Senhora da Vitória, no Largo da Vitória, na capital baiana.
Mãe Carmen faleceu na última sexta-feira (26), aos 98 anos. Ela estava internada há duas semanas no Hospital Português, onde se recuperava de uma forte gripe. A morte da religiosa causou grande comoção entre artistas, lideranças religiosas e admiradores de sua trajetória marcada pela fé, ancestralidade e dedicação ao candomblé.
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Filha direta de Mãe Menininha do Gantois, uma das maiores referências religiosas do país, Mãe Carmen nasceu e foi formada dentro dos saberes ancestrais do Ilê Iyá Omi Axé Iyamasé. Ela assumiu o comando do Terreiro do Gantois em 2002, após a morte da irmã, Mãe Cleusa, dando continuidade à linhagem familiar e ao legado espiritual deixado por suas antecessoras.
Trajetória de Mãe Carmen
O Terreiro do Gantois divulgou, na última sexta-feira (26), uma nota oficial lamentando o falecimento de Mãe Carmen, ocorrido na madrugada desta sexta-feira, em Salvador. Mas, quem foi Mãe Carmen? No comunicado, é destacada a dimensão histórica, espiritual e simbólica da sacerdotisa para o Candomblé na Bahia e no Brasil, sublinhando seu papel na preservação das tradições religiosas de matriz africana.
Além de líder religiosa, Mãe Carmen também ficou conhecida pela militância social, atuando em defesa da liberdade religiosa, no enfrentamento ao racismo e à intolerância, e no fortalecimento de ações comunitárias voltadas à proteção cultural e à inclusão social das populações de terreiro.

Ao longo de sua trajetória, Mãe Carmen consolidou-se não apenas como uma liderança espiritual, mas também como uma voz ativa na preservação da cultura afro-brasileira e no diálogo inter-religioso.
Ela desenvolveu ações socioeducativas na comunidade do Gantois, incluindo cursos de ritmos, dança, bordados e toques tradicionais, além de promover iniciativas voltadas à acessibilidade e à memória cultural da religiosidade de matriz africana
O trabalho da ialorixá foi reconhecido por diversas instituições públicas e culturais. Entre as homenagens recebidas estão a Comenda Maria Quitéria, concedida pela Câmara Municipal de Salvador e a Medalha dos 5 Continentes ou da Diversidade Cultural, entregue pela UNESCO em 2010 por seu papel na preservação das tradições e no diálogo entre saberes.
Mãe Carmen também foi tema de obras literárias e artísticas, e sua vida inspirou composições musicais como “A Força do Gantois”, de Nelson Rufino, lançada em 2011. Sua atuação estendeu-se ainda à valorização patrimonial do Terreiro do Gantois e de seu acervo imaterial, contribuindo para que a história e os saberes do candomblé fossem reconhecidos como patrimônio cultural.
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