Sem atraso: consórcio mantém conclusão da Ponte Salvador-Itaparica para 2031
Concessionária Ponte Salvador-Itaparica afastou possibilidade de atrasos após Codeba exigir mudanças no processo de dragagem do canal de navegação na baía.
Por Matheus Caldas.
Após exigências da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) ameaçarem o cronograma de obras da Ponte Salvador-Itaparica, a concessionária responsável pela obra manteve os prazos de início e conclusão das intervenções do equipamento.
Conforme cronograma revisado, e obtido pelo Aratu On, a estimativa é que as obras no mar da Baía de Todos-os-Santos tenham início em junho de 2026, com previsão de finalização em junho de 2031.
A concessionária afastou a possibilidade de atrasos após a Codeba exigir mudanças no processo de dragagem do canal de navegação na baía. O processo consiste na escavação que ajuda a retirar os sedimentos – terra, areia, rochas ou lixo – do fundo do mar.
Em cartas enviadas à concessionária, a Codeba exigiu que a profundidade do novo canal de navegação tenha 20 metros, maior que os 17 metros planejados inicialmente.
Segundo o cronograma revisado pela concessionária e apresentado à Secretaria de Infraestrutura, o intuito é finalizar o procedimento até 30 de abril de 2026. Desde o dia 20 de agosto, o empreendimento iniciou o processo de contratação e homologação para execução do canal de acesso ao porto de Salvador.
A expectativa é que, em junho de 2026, as obras no mar comecem com a edificação das fundações.
Já em solo, a projeção é que as intervenções em Salvador e na Ilha de Itaparica iniciem em setembro do próximo ano, com serviços preliminares e demolições.
Posteriormente, as obras principais acontecerão na capital e na ilha. Dois túneis serão construídos em Salvador 2027 e 2030, assegura a concessionária.
Em Itaparica, a praça de pedágio deve começar a ser erguida em março de 2027. No mesmo ano, os engenheiros devem começar a construir as bases da Ponte Salvador-Itaparica e a requalificação da Ponte do Funil, que fará parte de outro ponto do projeto: a duplicação da BA-001.
Ponte Salvador-Itaparica
Nesta semana, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) pediu à presidente da Petrobras, Magda Chambriard, cessão de área da empresa estatal situada em São Roque do Paraguaçu, distrito de Maragogipe, no Recôncavo.
O Aratu On obteve acesso à carta enviada por Jerônimo à chefe da Petrobras. No documento, ele manifesta interesse do estado em utilizar uma área de 450.000m², ao lado do Estaleiro Enseada, a fim de utilizá-la como ponto de apoio para as obras da Ponte Salvador-Itaparica.
A área, atualmente, é um canteiro desativado da Petrobras, posicionada ao lado Estaleiro Enseada, complexo industrial, portuário e logístico que passa por processo de recuperação judicial e teve atividades paralisadas após investigações da Operação Lava Jato. Em 2024, as atividades foram retomadas.
Na quinta-feira (28), Jerônimo recebeu o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União) e, dentre diversos assuntos, discutiu a ponte.
Novo contrato da Ponte Salvador-Itaparica
O governo do estado destravou o processo da ponte e assinou, no início de junho, o novo contrato para construção do equipamento. O ato ocorreu após intermediação do Tribunal de Contas do Estado (TCE/BA), que homologou, em fevereiro, a proposta de conciliação para execução da obra, após necessidades de reequilíbrios contratuais e econômicos.
Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assegurou que a obra sairá do papel. “A ponte será construída. O estudo da fundação está 100% pronto e vai começar [a obra]. Um investimento de R$ 11 bilhões e vai ser uma revolução para o desenvolvimento da Bahia" assegurou, em entrevista à TV Bahia.
O valor estimado do contrato é de R$ 6,9 bilhões, dos quais R$ 3,7 bilhões serão apenas de investimentos públicos do governo da Bahia e o restante, da concessionária operada pelas empreiteiras CCCC e CR20. Durante os 35 anos de concessão, no entanto, os valores projetados são de R$ 8,9 bilhões, dos quais R$ 8,6 bilhões serão realizados nos seis primeiros anos.
O contrato anterior tinha valor estimado de R$ 7,6 bilhões, mas os aportes públicos eram menores: R$ 1,5 milhão.
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