Justiça mantém prisão de mulher por desviar R$ 500 mil em empréstimos consignados na Bahia
Suspeita presa em Feira de Santana teve a prisão preventiva mantida após audiência de custódia; investigação aponta esquema que aplicava golpes em idosos e causou prejuízo superior a R$ 500 mil na Bahia
Por Victor Hernandes.
A Justiça de Feira de Santana manteve, nesta quinta-feira (16), a prisão preventiva de Jéssica Santos Gonçalves, investigada por integrar um esquema de fraude em empréstimos consignados na Bahia. Segundo a Polícia Civil, o grupo aplicava golpes contra idosos e causou um prejuízo superior a R$ 500 mil.

A suspeita foi presa na última segunda-feira (14), no bairro Papagaio, em Feira de Santana, e é apontada em pelo menos 40 procedimentos policiais registrados entre 2025 e 2026.
Após audiência de custódia, a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para manter a prisão preventiva.
Justiça aponta risco às vítimas em esquema de fraude em empréstimos consignados na Bahia
Na decisão, a magistrada afirmou que as investigações apontam a existência de um esquema criminoso voltado contra pessoas idosas, consideradas especialmente vulneráveis. Segundo a Justiça, as fraudes atingiam benefícios previdenciários e rendimentos destinados à subsistência das vítimas, comprometendo não apenas o patrimônio, mas também a autonomia e as condições de sobrevivência dos idosos.
A decisão também destaca que Jéssica possui antecedentes relacionados ao crime de estelionato e responde a outros procedimentos por fatos semelhantes. Para a magistrada, esses elementos demonstram risco concreto caso a investigada fosse colocada em liberdade.
Como funcionava o esquema de desvio em empréstimos consignados
As investigações da Polícia Civil apontam que Jéssica utilizava uma empresa de crédito consignado para atrair idosos sob o pretexto de realizar simulações de empréstimos. Durante o atendimento, recolhia documentos pessoais, dados bancários, senhas, imagens faciais e outras informações sensíveis das vítimas. De acordo com a polícia, esse material era utilizado posteriormente para contratar empréstimos sem o conhecimento ou a autorização dos clientes.
Ainda conforme a investigação, os prejuízos já comprovados ultrapassam R$ 500 mil. A Polícia Civil também afirma que vítimas que questionavam as irregularidades nas operações financeiras eram ameaçadas. Segundo o delegado João Uzzum, o grupo realizava contratos de empréstimos e refinanciamentos com valores superiores aos solicitados pelas vítimas.
Parte do dinheiro era desviada para contas de terceiros por meio de transferências bancárias e operações via PIX, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos.
Operação apreendeu celulares, computadores e documentos
Além do mandado de prisão, equipes da Polícia Civil cumpriram mandados de busca e apreensão na residência da investigada e em outros dois imóveis localizados no centro de Feira de Santana. Durante a operação, foram apreendidos celulares, notebooks, computadores e documentos que serão submetidos à perícia para auxiliar no andamento das investigações.
A suspeita permanece presa e à disposição da Justiça.
Outros casos semelhantes envolvendo golpes e fraudes na Bahia
No último dia 2 de julho, a Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava uma série de fraudes contra clientes de uma clínica de estética em Feira de Santana e indiciou uma mulher de 39 anos pelo crime de estelionato. Segundo as investigações, a suspeita se aproveitava da função que exercia no estabelecimento para enviar links falsos de pagamento às pessoas que contratavam procedimentos médicos e estéticos.
De acordo com a polícia, ao menos 34 vítimas foram identificadas durante a investigação, que estima um prejuízo total de aproximadamente R$ 370 mil. O inquérito foi conduzido ao longo de cerca de 11 meses e reuniu depoimentos de vítimas e testemunhas, auditorias em comprovantes de pagamento, análise documental, produção de relatórios de inteligência e levantamento da movimentação financeira da investigada.
As diligências apontaram que a mulher apresentava movimentações bancárias incompatíveis com a renda declarada oficialmente. Os investigadores também descobriram que ela abriu uma empresa e vinculou uma máquina de cartão ao CNPJ. Segundo a Polícia Civil, a estrutura era utilizada para receber os valores desviados das vítimas.

LEIA MAIS: Defesa de empresário preso por agredir mulher diz que ele "é um homem honrado"
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
