Gestora de abrigo para idosos é presa por maus-tratos em Salvador
Entre as irregularidades identificadas estavam a falta de organização dos prontuários das residentes, condições inadequadas de higiene, escassez de alimentos e ausência de atividades para as pessoas idosas
Por Taís Rocha.
A gestora de um abrigo para idosos, identificada como Roseli Santos foi presa nesta segunda-feira (13), durante uma operação que resultou no fechamento definitivo do Lar de Idosos Irmã Elizabete, localizado no bairro de Roma, em Salvador.
De acordo com informações do Ministério Público da Bahia (MPBA), a Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) funcionava em condições consideradas precárias. A promotora de Justiça Ana Rita Nascimento informou que acompanha a situação da instituição desde 2024, quando inspeções apontaram problemas estruturais e de funcionamento. Entre as irregularidades identificadas estavam a falta de organização dos prontuários das residentes, condições inadequadas de higiene, escassez de alimentos e ausência de atividades para as pessoas idosas, que permaneciam a maior parte do tempo nos dormitórios.

Gestora de abrigo para idosos é presa e local ficará fechado
Em nota o Ministério Público da Bahia informou que a instituição foi notificada e participou de uma capacitação promovida pelo projeto Vida Longa, desenvolvido pelo Ministério Público, para adequar o funcionamento do espaço e corrigir as falhas encontradas. No entanto, as melhorias exigidas não foram implementadas.
Em novembro de 2025, o MPBA determinou a interdição da instituição após constatar que as irregularidades continuavam e que os prazos para regularização não haviam sido cumpridos. Já em maio de 2026, uma nova inspeção verificou que o local seguia funcionando, apesar da determinação de fechamento.

Na operação desta segunda-feira (13), o lar foi fechado de forma definitiva. Segundo o MPBA, os órgãos envolvidos adotaram as medidas necessárias para garantir o atendimento e o acolhimento das pessoas idosas que viviam na instituição.
Violência contra idosos no Brasil
O Brasil registra, em média, 20 denúncias de violência contra idosos por hora, segundo dados da central do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos. O levantamento mostra ainda que mais de 80% dos casos ocorrem dentro da casa da própria vítima.
Em um país que envelhece mais rápido do que o previsto, os números acendem um alerta: são quase 500 denúncias diárias, envolvendo desde abandono e golpes financeiros até insultos e agressões físicas. Muitas vezes, nem as vítimas nem os familiares reconhecem essas situações como crime.
A Bahia, por exemplo, abriga mais de 2,3 milhões de pessoas idosas e concentra o maior número de centenários do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Projeções indicam que, até 2070, quatro em cada dez baianos terão 60 anos ou mais.
Entre janeiro e outubro deste ano, foram registradas 151 mil denúncias, que resultaram em mais de um milhão de violações. A maior parte das vítimas é composta por mulheres idosas. Para ampliar a conscientização, a Associação Nacional do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos (Anampa) lançou uma cartilha com o lema “informar para proteger”, que reúne direitos, tipos de violência e sinais de alerta que devem ser observados.
O material também destaca que práticas comuns no convívio familiar, como reter documentos, apropriar-se da aposentadoria, impedir visitas ou proferir xingamentos, configuram violência.
Nos últimos anos, leis mais rígidas reforçaram as punições para maus-tratos, abandono e golpes. A nova portaria do Ministério dos Direitos Humanos determina prioridade às denúncias envolvendo pessoas com mais de 80 anos e estabelece um atendimento mais humanizado no Disque 100.
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