Clínica de Salvador é investigada por vender canetas emagrecedoras ilegalmente; veja qual
De acordo com o Ministério Público, Clínica de Salvador estaria vendendo os produtos sem registro no órgão de vigilância sanitária competente, que neste caso seria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia abriu investigação para apurar uma clínica de Salvador por venda ilegal de canetas emagrecedoras. Segundo a decisão, acessada pelo AratuON, na tarde desta segunda-feira (13), a clínica alvo foi a Sterapia Caminho das Árvores, localizada na Avenida Tancredo Neves.

De acordo com o Ministério Público, o estabelecimento estaria vendendo os produtos sem registro no órgão de vigilância sanitária competente, que neste caso seria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Também é investigado a possível compra de produtos adquiridos de estabelecimentos sem licença da autoridade sanitária competente. Além disso, a clínica é investigada por descumprir normas do Código de Defesa do Consumidor (CDC), especificamente quanto ao dever de segurança e informação.
Clínica de Salvador é investigada por vender canetas emagrecedoras ilegalmente
A clínica também é alvo por conta da comercialização de produtos impróprios ao uso e à realização de práticas abusivas ao colocar no mercado produtos em desacordo com as normas oficiais.
O prazo fixado para a conclusão deste procedimento preparatório é de 90 (noventa) dias. No entanto, segundo estabelecido esse período pode ser prorrogado por igual prazo.
De acordo com o documento obtido pela reportagem, a "Operação Peptídeos" foi uma ação realizada pela Polícia Civil. As informações sobre essa operação foram divulgadas pela imprensa e serviram como a origem (fato gerador) para que a 1ª Promotoria de Justiça do Consumidor instaurasse o procedimento preparatório de inquérito civil
Operação Peptídeos
A venda irregular de canetas emagrecedoras foi alvo de investigação da Polícia Civil da Bahia, que deflagrou a Operação Peptídeos para desarticular um esquema criminoso suspeito de comercializar as substâncias de forma clandestina, em março deste ano.
Na ocasião, foram cumpridos mandados judiciais nas cidades de Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho e Feira de Santana, além de São Paulo. Até o momento, um homem foi preso no bairro da Barra, na capital baiana.
De acordo com as investigações, o grupo é suspeito de vender substâncias utilizadas no tratamento de pacientes com diabetes tipo 2 como se fossem produtos voltados ao emagrecimento.
Os itens eram divulgados principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, muitas vezes sem prescrição médica e fora dos padrões sanitários exigidos pela legislação.
As apurações também apontam indícios de transporte e armazenamento sem controle sanitário adequado, além da comercialização dos produtos sem comunicação aos órgãos de vigilância sanitária.
Mais de 200 policiais civis participam da operação, com equipes de diferentes departamentos da Polícia Civil da Bahia. A ação conta ainda com o apoio do Departamento de Polícia Técnica (DPT), da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), da Vigilância Sanitária de Salvador e da Polícia Militar da Bahia (PMBA).
Alerta sobre uso de canetas emagrecedora
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a utilização de canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico adequado e para doenças que não estão aprovadas nas bulas dos medicamentos. No documento divulgado, é citado o aumento de notificações de casos de pancreatite associados ao uso do Ozempic, Saxenda e Mounjaro.
O aviso da agência abrange todos os medicamentos que contenham dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, incluindo todas as canetas registradas no país. No Reino Unido, cerca de 19 mortes foram associadas ao uso do medicamento, o que gerou um alerta em relação ao medicamento.
Apesar da pancreatite já está descrita como uma das reações adversas na bula das canetas emagrecedoras no Brasil, a Anvisa afirma que houve um aumento recente nas notificações relacionadas a essa condição, as canetas devem ser usadas apenas com as indicações aprovadas nas orientações do remédio e sempre com acompanhamento de profissional habilitado.
Mais de 100 canetas emagrecedoras são apreendidas em cidade da Bahia
Uma carga com 124 ampolas de Tirzepatida foi apreendida em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, no último dia 4 A substância é conhecida pelo nome comercial Mounjaro é utilizada no tratamento do diabetes tipo 2 e para emagrecimento.
Segundo a Polícia Civil, a apreensão aconteceu durante uma operação realizada no anel viário de Vitória da Conquista, após o recebimento de uma denúncia anônima. As informações recebidas pela polícia indicavam que uma carga da substância estaria sendo transportada no interior de um ônibus interestadual que passaria pela cidade durante o fim de semana.
Após receber a denúncia, investigadores da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Vitória da Conquista (DRFR/DEIC) realizaram diligências e conseguiram localizar o veículo, que saiu de São Paulo e tinha como destino a Paraíba.
Durante a abordagem, os policiais inspecionaram o compartimento de bagagens, onde localizaram uma caixa com características suspeitas, contendo 31 embalagens de Tirzepatida 15 mg. Cada embalagem possuía quatro ampolas, totalizando 124 unidades do medicamento.
Material com armazenamento inadequado
Ainda segundo informações da polícia, a substância estava sendo transportada sem o devido acondicionamento e a refrigeração exigidos para sua conservação, fora do padrão recomendado pelo fabricante.
O armazenamento sem controle adequado de temperatura pode comprometer a integridade, a eficácia e a segurança do produto para consumo. Além disso, a entrada do medicamento no país sem autorização dos órgãos competentes pode caracterizar o crime de contrabando.
Por que algumas pessoas não perdem peso com canetas emagrecedoras?
A quebra da patente da semaglutida reacendeu o interesse por alternativas mais acessíveis de medicamentos usados no tratamento da obesidade, como Ozempic e Wegovy. Apesar da popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, especialistas alertam que os resultados não são iguais para todos os pacientes — e uma parcela significativa pode não atingir a perda de peso esperada. Com informações da Agência Einstein.
Estudos clínicos apontam que entre 9% e 14% dos usuários não conseguem perder ao menos 5% do peso corporal nos primeiros meses. No ensaio STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, cerca de 14% dos participantes não tiveram resposta considerada adequada. Já no estudo SURMOUNT-1, com tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro —, a taxa de não resposta variou entre 9,1% e 14,9%, dependendo da dose.
Segundo especialistas, essa variação é esperada. A resposta ao tratamento depende de fatores individuais e do ajuste progressivo da dose, estratégia usada para reduzir efeitos colaterais e melhorar a tolerância. Em alguns casos, o avanço precisa ser mais lento ou até temporariamente interrompido, o que pode impactar os resultados.

LEIA MAIS: Filho de ginecologista preso diz que pai foi alvo de 'falsa narrativa'
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).
