Por que algumas pessoas não perdem peso com canetas emagrecedoras?

Apesar da popularização das canetas emagrecedoras, especialistas alertam que os resultados não são iguais para todos

Por Bruna Castelo Branco.

A quebra da patente da semaglutida reacendeu o interesse por alternativas mais acessíveis de medicamentos usados no tratamento da obesidade, como Ozempic e Wegovy. Apesar da popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, especialistas alertam que os resultados não são iguais para todos os pacientes — e uma parcela significativa pode não atingir a perda de peso esperada. Com informações da Agência Einstein.

Estudos clínicos apontam que entre 9% e 14% dos usuários não conseguem perder ao menos 5% do peso corporal nos primeiros meses. No ensaio STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, cerca de 14% dos participantes não tiveram resposta considerada adequada. Já no estudo SURMOUNT-1, com tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro —, a taxa de não resposta variou entre 9,1% e 14,9%, dependendo da dose.

Apesar da popularização das canetas emagrecedoras, especialistas alertam que os resultados não são iguais para todos. | Foto: FreePik

Segundo especialistas, essa variação é esperada. A resposta ao tratamento depende de fatores individuais e do ajuste progressivo da dose, estratégia usada para reduzir efeitos colaterais e melhorar a tolerância. Em alguns casos, o avanço precisa ser mais lento ou até temporariamente interrompido, o que pode impactar os resultados.

Por que alguns pacientes não respondem?

A chamada “não resposta” geralmente não tem uma causa única. Fatores como presença de diabetes tipo 2, maior resistência à insulina, idade, peso inicial e até função renal podem influenciar a eficácia dos medicamentos.

Um estudo publicado na Diabetologia, em 2024, mostrou que apenas 14% dos pacientes com diabetes tipo 2 conseguiram melhorar o controle da glicose e perder ao menos 5% do peso corporal usando medicamentos dessa classe.

A dose também é determinante. Pesquisa divulgada no The Lancet, em 2025, indicou que doses mais altas de semaglutida (7,2 mg) proporcionaram maior perda de peso do que a dose padrão (2,4 mg), embora com potencial aumento de efeitos colaterais.

Estudos clínicos apontam que entre 9% e 14% dos usuários não conseguem perder ao menos 5% do peso. | Foto: FreePik

Outro ponto importante é a farmacocinética — ou seja, como o corpo absorve e metaboliza o medicamento. Estudo da Cell Reports Medicine mostrou que a eficácia está mais ligada à concentração da droga no sangue do que à forma de uso (oral ou injetável). Pessoas com maior peso corporal, por exemplo, podem ter menor exposição ao medicamento.

Além disso, o uso de outros remédios pode interferir. Diretrizes da Sociedade de Endocrinologia recomendam reavaliar fármacos que favorecem o ganho de peso, como insulina, antidepressivos, antipsicóticos e corticoides.

Há ainda indícios de influência genética. Um estudo recente publicado na Nature identificou variantes genéticas associadas tanto à maior eficácia quanto a efeitos colaterais, como náuseas e vômitos, especialmente com tirzepatida.

O que fazer quando o tratamento não funciona?

Quando a perda de peso não ocorre como esperado, especialistas recomendam uma revisão completa da estratégia. Isso inclui verificar se a dose foi ajustada corretamente, se o paciente manteve o uso contínuo e avaliar fatores como alimentação, consumo de álcool, sono, estresse e outras condições de saúde.

Aspectos comportamentais também pesam. Em alguns casos, o impulso para comer está mais ligado a fatores emocionais do que fisiológicos, o que pode reduzir a eficácia dos medicamentos.

Após essa análise, médicos podem optar por ajustar a dose, reforçar mudanças no estilo de vida ou até trocar o medicamento.

A resposta ao tratamento depende de fatores individuais e do ajuste progressivo da dose. | Foto: FreePik

Custo-benefício em debate

O alto custo dessas terapias também levanta discussões sobre custo-efetividade. Países como Reino Unido e Canadá já adotam critérios mais restritivos para indicação e financiamento desses medicamentos, exigindo acompanhamento especializado e associação com mudanças no estilo de vida.

No Brasil, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS rejeitou, em 2025, a incorporação da semaglutida no SUS para tratamento da obesidade, citando impacto orçamentário e incertezas sobre o custo-benefício em larga escala.

O alto custo dessas terapias também levanta discussões sobre custo-efetividade. | Foto: FreePik

Ainda assim, iniciativas piloto seguem em discussão, como programas de acesso ao Wegovy na rede pública.

Especialistas reforçam que, independentemente do acesso, é fundamental alinhar expectativas. A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa — e o acompanhamento médico contínuo é essencial para ajustar a estratégia e garantir segurança no uso.

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