Remédio para câncer comum em crianças passará a ser ofertado pelo SUS
A medicação será oferecida para o tratamento de neuroblastoma de alto risco na fase de manutenção
Por Da Redação.
O betadinutuximabe, comercializado sob o nome de Qarziba, será disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em até 180 dias. O medicamento, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021, é utilizado no tratamento de neuroblastoma, o terceiro tipo de câncer mais comum em crianças, atrás apenas da leucemia e dos tumores cerebrais.
A inclusão do Qarziba no SUS foi formalizada por meio de uma portaria do Ministério da Saúde publicada esta semana no Diário Oficial da União.
A medicação será oferecida para o tratamento de neuroblastoma de alto risco na fase de manutenção, que visa erradicar a doença residual mínima e prevenir a reincidência do câncer. De acordo com o Ministério da Saúde, o tratamento será realizado em unidades habilitadas, como as Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e os Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), que garantem atendimento integral, desde o diagnóstico até o tratamento.
![A inclusão do Qarziba no SUS foi formalizada por meio de uma portaria do Ministério da Saúde. | Foto: Pexels/Ilustrativa](https://adm.aratuon.com.br/assets/f6674a82-31ba-46de-a576-c423a7c34958.jpg?width=1280&format=webp&)
A inclusão do Qarziba no SUS foi formalizada por meio de uma portaria do Ministério da Saúde. | Foto: Pexels/Ilustrativa
A pasta destacou que a medida "reforça o compromisso do Ministério da Saúde em ampliar e qualificar a oferta de medicamentos e tratamentos para atender às necessidades da população, garantindo o acesso a terapias baseadas em evidências científicas e na integralidade do cuidado oncológico".
Qualidade de vida e custo
O Qarziba é um medicamento caro e relativamente novo. Em 2024, após solicitação do fabricante Recordati, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou sua incorporação no tratamento de neuroblastoma de alto risco. De acordo com o relatório da Conitec, o medicamento apresenta "significativa melhora na sobrevida e qualidade de vida dos pacientes, em comparação com as tecnologias atualmente disponíveis no SUS".
O medicamento será indicado para pacientes que tenham alcançado pelo menos uma resposta parcial ao tratamento com quimioterapia e transplante autólogo de células-tronco, sendo seu uso restrito à fase de manutenção. Atualmente, muitas famílias recorrem à Justiça para obter o medicamento, que, com a compra pública pelo SUS, deve ter seu preço reduzido. Estima-se que a implementação da medicação pelo SUS custe R$ 107,8 milhões ao longo de cinco anos.
Neuroblastoma
O neuroblastoma é o tumor sólido extracraniano mais comum entre as crianças, representando entre 8% e 10% de todos os tumores infantis. O tratamento varia conforme o risco apresentado por cada paciente. Para casos de baixo ou intermediário risco, são necessárias cirurgia e, em alguns casos, quimioterapia.
Para pacientes com alto risco, o tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e até transplante de medula óssea, com células do próprio paciente. Esses procedimentos já são oferecidos pelo SUS.
![O neuroblastoma é o tumor sólido extracraniano mais comum entre as crianças. | Imagem: Agência Brasil](https://adm.aratuon.com.br/assets/674c2853-8bd5-4368-9f6b-ea912ca5938c.webp?width=1280&format=webp&)
O neuroblastoma é o tumor sólido extracraniano mais comum entre as crianças. | Imagem: Agência Brasil
A principal dificuldade no tratamento do neuroblastoma é o acesso aos medicamentos específicos, que demonstram aumentar as chances de recuperação. A corrida contra o tempo é crucial, já que os medicamentos devem ser administrados em momentos específicos do tratamento para serem eficazes.