Cúpula da Bamor é denunciada por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça
Presidente, vice e diretores da torcida organizada estão entre os dez denunciados pelo MP-BA após a Operação Inquisição; grupo segue preso preventivamente
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou dez integrantes da cúpula da Torcida Organizada Bamor pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. A denúncia foi protocolada na última sexta-feira (2) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), como desdobramento da Operação Inquisição.

Entre os denunciados estão o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio, diretores da torcida e o policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado pelo MP-BA como integrante da organizada. Ao todo, dez pessoas foram denunciadas.
Todos permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. O Ministério Público também pediu a manutenção das prisões e a condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos individualmente a cada um.
O que diz a denúncia contra a cúpula da Bamor
Segundo o MP-BA, os denunciados integrariam uma estrutura criminosa estável, organizada e com divisão de funções. A acusação aponta que a estrutura da torcida teria sido utilizada para uma espécie de punição privada contra pessoas consideradas pela diretoria como responsáveis por supostos desvios internos.
Ainda conforme a denúncia, os crimes teriam ocorrido em julho deste ano. Duas pessoas teriam sido submetidas a sessões de violência física e psicológica na sede da Bamor com o objetivo de obter confissões sobre supostas irregularidades relacionadas ao sistema de gestão de associados da entidade.
O Ministério Público afirma que a atuação teria ocorrido de maneira coordenada, com divisão de tarefas entre os envolvidos e utilização da sede da torcida para a prática dos crimes.
MP-BA pede R$ 2 milhões por danos morais coletivos
Além da condenação dos denunciados pelos crimes atribuídos a cada um, o MP-BA pediu a manutenção das prisões preventivas e o pagamento de indenizações às vítimas por danos materiais e morais.
O órgão também solicitou que seja fixada uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais coletivos.
Quem são os dez denunciados
Foram denunciados Matheus Pires Castro, presidente da Bamor; Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente; Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte, diretor de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede; Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro; e Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado pelo MP-BA como integrante da torcida organizada.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça. O oferecimento da acusação pelo Ministério Público não representa condenação, e os denunciados poderão exercer o direito de defesa durante o processo.
Defesa do presidente da Bamor pediu prisão domiciliar
Antes da denúncia, a defesa de Matheus Pires Castro havia pedido à Justiça a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares menos gravosas, entre elas prisão domiciliar ou uso de tornozeleira eletrônica. O pedido deverá ser analisado pela Justiça no curso do processo.
o pedido foi apresentado inicialmente durante a audiência de custódia realizada na terça-feira (29) e posteriormente ratificado por escrito nesta quarta-feira (30). O caso foi encaminhado para a 1ª Vara das Garantias de Salvador, responsável pela análise dos pedidos relacionados às prisões preventivas decretadas no caso.
Antes de uma decisão, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) deverá se manifestar sobre a solicitação. Depois, o magistrado responsável pelo caso deverá decidir se mantém a prisão preventiva ou se substitui a medida por prisão domiciliar, tornozeleira eletrônica ou outra cautelar. Caso o pedido seja negado, a defesa informou que poderá avaliar a apresentação de recurso ao tribunal.

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