Bamor é alvo de nova investigação do MP-BA após operação contra tortura em Salvador
Inquérito civil foi instaurado pelo MP-BA para apurar possíveis problemas relacionados às atividades e à reunião de frequentadores na sede da torcida, em Nazaré
Por Victor Hernandes.
A torcida organizada do Bahia, Bamor, é alvo de uma nova investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) em Salvador. O órgão instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades relacionadas às atividades realizadas na sede da organizada, localizada no bairro de Nazaré.

A investigação é conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor de Salvador e busca verificar possíveis danos relacionados à desordem urbana, à perturbação do sossego público e a riscos à segurança.
Segundo a portaria, o procedimento preparatório foi convertido em Inquérito Civil pelo promotor de Justiça Saulo Murilo de Oliveira Mattos.
MP-BA investiga atividades na sede da Bamor
O inquérito civil busca analisar possíveis impactos provocados pela rotina de eventos e pela reunião de frequentadores na sede da torcida organizada. O MP-BA determinou que a diretoria da Bamor preste esclarecimentos e apresente defesa formal no prazo de dez dias úteis.
Também foi determinada a anexação aos autos de relatórios técnicos emitidos pela 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (2ª CIPM) e pela Vigilância Sanitária, além de manifestações de outros órgãos públicos fiscalizadores.
Os documentos deverão auxiliar o Ministério Público na análise das condições relacionadas às atividades realizadas no local.
Nova investigação ocorre após operação contra tortura
A abertura do inquérito civil ocorre poucos dias após integrantes da presidência e da diretoria da Bamor serem alvos de uma operação que investiga denúncias de tortura física e psicológica contra integrantes da própria torcida organizada.
A operação foi deflagrada na segunda-feira (28) pelo Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com órgãos da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e das polícias Civil e Militar. Ao todo, dez pessoas foram presas e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador.
Segundo as investigações, pelo menos duas pessoas teriam sido submetidas a sessões de tortura dentro da sede da torcida organizada, em julho deste ano. As vítimas teriam sido pressionadas a admitir supostas irregularidades e, durante os episódios, teriam sofrido agressões físicas, ameaças, sufocamento e afogamento.
Ainda conforme as apurações, as agressões teriam durado horas e incluído o uso de objetos como tacos de beisebol, martelo e faca. Além das suspeitas de tortura, a operação também investiga possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.
Entre os presos estão o presidente da Bamor, Matheus Castro, o vice-presidente da organizada, Luciano Venâncio, outros dirigentes e um policial militar. Segundo o MP-BA, as vítimas teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da organizada.
Justiça homologa prisões de nove investigados
Na terça-feira (29), a Justiça homologou o cumprimento dos mandados de prisão preventiva contra nove dos investigados. Uma decisão obtida pelo Aratu On aponta que, após a audiência de custódia, a juíza responsável pelo caso reconheceu a legalidade formal das prisões e determinou que os nove investigados permanecessem recolhidos à disposição da Justiça.
A decisão, porém, não analisou os pedidos de revogação das prisões nem as solicitações de prisão domiciliar apresentadas pelas defesas.
Os pedidos foram encaminhados ao juízo responsável pela expedição dos mandados, a 1ª Vara das Garantias da Comarca de Salvador.

LEIA MAIS: Suspeito de ataque a tiros que matou criança em Rafael Jambeiro é encontrado decapitado em SP
Siga a gente no Insta, Facebook, Bluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).