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Mulher compra apartamento em leilão e descobre corpo de antiga moradora em estado de decomposição

Restos mortais estavam cobertos em uma cama; cartas ao lado do corpo encontrado em apartamento de leilão indicavam desejos para o próprio sepultamento

Por Isabela Cardoso.

Uma mulher encontrou o corpo de uma pessoa em avançado estado de decomposição no quarto de um apartamento que havia comprado em um leilão, em Minas Gerais. A suspeita é de que os restos mortais sejam da antiga proprietária, que estaria morta há mais de um ano.

Apartamento arrematado em leilão

Corpo encontrado em apartamento de leilão

A descoberta ocorreu na quinta-feira (5), quando a compradora, Kalina Poliana, entrou no imóvel pela primeira vez e encontrou o corpo sobre uma cama, envolto em cobertas e com travesseiros ao lado. Ela recebeu autorização do filho da antiga dona para entrar no apartamento. Como não tinha a chave, precisou contratar um chaveiro para abrir a porta.

Segundo a mulher, o imóvel estava completamente fechado e não havia cheiro que indicasse a presença de um corpo. A situação mudou quando ela entrou no quarto, que também estava fechado, e percebeu um volume estranho sobre a cama.

“Ela tinha uma coberta envolta nela. Quando eu vi, parecia que tinha alguém deitado dormindo na cama”, relatou Kalina.

Assustada, ela pediu ao chaveiro que verificasse o que havia no quarto. Ao retornar, ele informou que havia uma mulher morta no local. Kalina disse que ficou abalada e não conseguiu acionar a polícia. O profissional chamou as autoridades.

Cartas indicavam como a mulher queria ser sepultada

Próximo ao corpo, foram encontradas diversas cartas deixadas pela antiga proprietária. Nos bilhetes, ela explicava como gostaria de ser sepultada e quais roupas deveriam ser usadas para vesti-la. Também teria informado que o serviço funerário já estava pago.

O apartamento foi encontrado limpo, organizado e em bom estado de conservação. Em uma das cartas, a mulher teria escrito que deixava a chave do imóvel para o filho único.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou que não havia registros anteriores de desaparecimento da antiga proprietária. A corporação também apura as circunstâncias da morte. Entre as hipóteses investigadas está a possibilidade de intoxicação por medicamentos ou substâncias venenosas.

Não foram identificados sinais de violência ou arrombamento no apartamento. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), e amostras de material biológico serão submetidas a exames laboratoriais para auxiliar na investigação e estimar a data da morte.

Imóvel foi leiloado após falta de pagamento do financiamento

O apartamento foi arrematado por Kalina em 9 de outubro, depois de ter sido levado a leilão por falta de pagamento do financiamento. Vanilda Sousa, responsável pela empresa Chave7 & Sousa, que presta assessoria a arrematantes, explicou ao g1 que a venda de imóveis nessa modalidade ocorre sem vistoria prévia.

Segundo ela, após a notificação da Caixa Econômica Federal, a antiga proprietária teria 15 dias para quitar a dívida e impedir que o imóvel fosse levado a leilão.

A advogada Lahra Lopes, que representa Kalina, informou que a equipe jurídica pretende entrar com uma ação para tentar anular a compra. A nova proprietária manifestou interesse em cancelar a aquisição depois de encontrar o corpo no apartamento.

A validade do procedimento poderá depender da data em que a antiga dona morreu e de quando recebeu as notificações do banco. A advogada explicou que, caso seja comprovado que a proprietária já havia falecido antes de ser notificada, a equipe poderá questionar judicialmente a validade das comunicações e do leilão.

“Precisamos verificar se a antiga proprietária ainda estava viva quando foi notificada pelo banco. Caso seja comprovado que ela já havia falecido, poderemos questionar judicialmente a validade dessas notificações e, consequentemente, do procedimento que resultou no leilão. Por outro lado, se ela recebeu validamente as notificações antes do falecimento, essa hipótese específica de anulação não se sustentaria”, explicou Lahra.

Antiga proprietária teria dito que iria se mudar

Kalina contou que, antes de entrar no imóvel, conversou com o filho da antiga proprietária. Segundo ela, ele relatou que a mãe havia desaparecido e que teria iniciado um relacionamento com um homem, com quem pretendia morar em Varjão de Minas.

“Foi muito complicado, eu fiquei muito abalada. Eu já tinha falado com o filho da proprietária, ele me falou que ela tinha sumido, tinha arrumado um suposto namorado. Ela comentou que iria morar com o rapaz em Varjão de Minas”, afirmou.

Familiares também disseram à compradora que haviam perdido contato com a mulher. A Polícia Civil investiga o caso e aguarda os resultados dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias e a causa da morte.

Leia mais: Ossada humana em Salvador: polícia investiga achado em imóvel que passa por reforma

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