Presidente, vice e PM: veja quem são os 10 presos em operação que apura tortura na Bamor
Investigação apura agressões físicas e psicológicas contra dois integrantes da torcida organizada
Um policial militar e o presidente da Bamor, torcida organizada do Bahia, estão entre os dez presos em uma operação que apura denúncias de tortura contra integrantes da própria torcida, em Salvador. As agressões teriam ocorrido dentro da sede da organizada, em julho deste ano.

Deflagrafa pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira (28), também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Salvador. Além do presidente da Bamor, Matheus Castro, entre os presos estão ainda o vice-presidente da Bamor, Luciano Venâncio, e outros dirigentes da torcida.
Segundo o MP-BA, as vítimas Roberson Santos de Jesus e Roberto Brito de Jesus teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da organizada.
O Aratu On teve acesso ao processo que tramita em segredo de Justiça, e as investigações apontam que os ataques teriam durado horas e incluído espancamentos, ameaças, simulação de afogamento e sufocamento. Os suspeitos também teriam utilizado objetos como tacos de beisebol e um martelo durante as agressões.
Ainda segundo a apuração, os dois homens teriam sido pressionados a confessar supostas irregularidades financeiras. Além da tortura, a operação também investiga possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.
Quem são os dez presos
- Matheus Pires Castro — presidente da Bamor;
- Luciano da Silva Venâncio — vice-presidente da torcida;
- Gabriel Pereira Silva, conhecido como Bolinha — diretor-geral da Bamor;
- Ricardo Henrique Almeida da Silva, conhecido como Kakaroto — diretor de marketing;
- Ivã Cleiton de Jesus Santos — diretor de bateria;
- Luiz Wagner da Silva Santana, conhecido como Waguinho — diretor de sede;
- Daniel Sena Duarte, conhecido como Facada — diretor de sede;
- Diego Allan Conceição Sacramento, conhecido como Pitombo — diretor de patrimônio;
- Alan Rafael Regis Alves de Aquino — integrante da torcida;
- Fernando Santana Esquivel — soldado da Polícia Militar e integrante da Bamor.
De acordo com a SSP-BA, o PM era associado à Bamor e teria participado das agressões investigadas. O MP-BA, no entanto, informou não ter informações sobre eventual cargo ocupado pelo policial dentro da torcida organizada.
Bamor não é alvo da investigação, diz promotora

Segundo a promotora, Thelma Leal afirmou que a operação é direcionada aos integrantes da torcida e que a Bamor, enquanto associação, não é investigada no caso. "Se pede muito a punição ao CNPJ. Essas prisões são aos integrantes da Bamor. A sede foi fechada porque foi lá que aconteceram os fatos. É importante dizer que a Bamor não está sendo investigada".
Segundo ela, existe outra investigação envolvendo a associação no Ministério Público. "A Bamor, enquanto associação, ela tem outra esfera de investigação no Ministério Público. No momento, a gente não tem medidas previstas contra a Bamor. Muito pelo contrário, a gente espera que ela possa ter pessoas que possam trazer essa pacificação".
A promotora também afirmou que o MP-BA trabalha na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a torcida. "Nós estamos com a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta, em andamento, onde a gente prevê que a torcida possa punir esse integrante que pratique o crime. A gente espera que a nova diretoria da Bamor, que será constituída, possa banir esses cidadãos que praticaram o crime dentro da associação, e que eles nunca mais possam acessar o local como torcida organizada".
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