Presidente e vice da Bamor são presos em operação que apura casos de tortura em Salvador
O presidente da Bamor, Matheus Castro, e o vice-presidente, Luciano Venâncio, estão entre os dez presos durante operação
Por Bruna Castelo Branco.
O presidente da Bamor, Matheus Castro, e o vice-presidente, Luciano Venâncio, estão entre as dez pessoas presas durante uma operação realizada na manhã desta segunda-feira (28), em Salvador. A ação investiga denúncias de tortura dentro da sede da torcida.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), a operação foi deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), com apoio das forças de segurança do estado. Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e 15 de busca e apreensão.

Os nomes dos presos não foram divulgados oficialmente. De acordo com a SSP-BA, um policial militar está entre os investigados.
Segundopromotora de Justiça Thelma Leal, que participa das investigações, os presos teriam participado das agressões em diferentes níveis. "O presidente e o vice estão presos. Todos participaram ativamente dos atos de tortura, de alguma forma, com maior ou menor proporção. Os relatos das vítimas dão conta que todos que estão presos participaram", afirmou ela ao programa Bahia Meio Dia.
As investigações apontam que pelo menos duas pessoas foram submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da torcida, em julho deste ano. De acordo com o MP-BA, as vítimas teriam sido pressionadas a confessar supostas irregularidades.
Segundo Thelma Leal, uma das vítimas foi chamada à sede da torcida para prestar esclarecimentos sobre um suposto desfalque. Como não teria confessado a prática, passou a ser torturada.
Ainda de acordo com as apurações, as agressões teriam incluído ameaças, sufocamento e afogamento. Os investigadores também apontam o uso de tacos de beisebol, martelo e faca durante as sessões de violência. Além da tortura, a investigação apura possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.

Bamor não é alvo da investigação, diz promotora
Thelma Leal afirmou que a operação é direcionada aos integrantes da torcida e que a Bamor, enquanto associação, não é investigada no caso. "Se pede muito a punição ao CNPJ. Essas prisões são aos integrantes da Bamor. A sede foi fechada porque foi lá que aconteceram os fatos. É importante dizer que a Bamor não está sendo investigada".
Segundo ela, existe outra investigação envolvendo a associação no Ministério Público. "A Bamor, enquanto associação, ela tem outra esfera de investigação no Ministério Público. No momento, a gente não tem medidas previstas contra a Bamor. Muito pelo contrário, a gente espera que ela possa ter pessoas que possam trazer essa pacificação".
A promotora também afirmou que o MP-BA trabalha na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a torcida. "Nós estamos com a construção de um Termo de Ajustamento de Conduta, em andamento, onde a gente prevê que a torcida possa punir esse integrante que pratique o crime. A gente espera que a nova diretoria da Bamor, que será constituída, possa banir esses cidadãos que praticaram o crime dentro da associação, e que eles nunca mais possam acessar o local como torcida organizada".

Policial militar está entre os investigados
De acordo com a SSP-BA, um policial militar está entre os investigados. Segundo Thelma Leal, ele era associado à Bamor e teria participado das agressões. O MP-BA, no entanto, não tem informação sobre eventual cargo ocupado por ele na torcida.
A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MP-BA, em conjunto com equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e órgãos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

Participam da operação equipes do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e da Força Correcional Especial Integrada (Force), além de unidades especializadas das polícias Civil e Militar.
A SSP-BA informou que a investigação busca esclarecer quem participou das agressões e qual foi o envolvimento de integrantes da direção da Bamor nas denúncias. O caso segue em investigação.
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