Cidadania

O impostonto e a cidadania que o Brasil precisa despertar

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
O impostonto e a cidadania que o Brasil precisa despertarO impostonto e a cidadania que o Brasil precisa despertar

Compreender que todos pagam impostos é o primeiro passo para despertar a consciência cidadã e fortalecer a participação na vida pública.

Você conhece um Impostonto?

É aquele brasileiro que paga imposto todos os dias, mas continua dizendo: "Eu não pago imposto". Acredita que imposto é coisa de empresário, de gente rica ou de quem tem empresa.

Mas não é.

Quem compra um pão, um remédio, abastece o carro, faz a feira no supermercado ou paga a conta de luz está pagando impostos. O problema é que a maioria das pessoas nem percebe.

Por força da Lei da Transparência Fiscal, as notas fiscais informam o valor aproximado dos tributos incidentes sobre cada compra. Mas quantas pessoas olham essa informação?

Quase nenhuma.

Em uma compra de R$ 760, por exemplo, cerca de R$ 266 correspondem a tributos federais e estaduais. Ou seja, antes mesmo de consumir os produtos, esse dinheiro já foi destinado ao financiamento do Estado.

E você sabe quem paga essa conta?

O rico paga, o pobre paga, o trabalhador paga, o desempregado paga, o beneficiário de programas sociais paga, o microempreendedor paga e quem trabalha na informalidade também paga. 

Afinal, todos pagam. E quem não percebe isso continua sendo um verdadeiro Impostonto.

O maior problema, no entanto, não é apenas desconhecer os impostos que paga. É acreditar que o serviço público é de graça.

Não é. Ele é público porque pertence a todos nós, e pertence porque somos nós que o financiamos.

Se pagamos impostos, temos o direito de cobrar educação de qualidade, saúde eficiente, segurança, infraestrutura, água, iluminação e respeito ao dinheiro público.

Por isso, faço um desafio: na próxima vez que receber uma nota fiscal, olhe a parte de baixo e descubra quanto você pagou de imposto. Depois pergunte a alguém se ele já fez o mesmo.

Desta forma, você vai ajudar mais uma pessoa a deixar de ser um Impostonto.

Uma sociedade muda quando seus cidadãos despertam para a consciência de que o Estado é sustentado por todos nós. E quem financia tem o direito e o dever de participar, fiscalizar e cobrar. Afinal, o futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora.

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Paulo Cavalcanti

Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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