Cidadania

A pergunta que o trabalhador brasileiro precisa fazer

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
A pergunta que o trabalhador brasileiro precisa fazerA pergunta que o trabalhador brasileiro precisa fazer

No fundo, todo mundo trabalha buscando a mesma coisa. O empregado da CLT, o empresário, o autônomo, o informal, todos acordam cedo tentando construir dignidade, segurança e bem-estar para suas famílias.

E junto com o trabalho vem outra obrigação inevitável: o imposto.

Pagamos impostos porque acreditamos no funcionamento coletivo da sociedade. Porque saúde pública, educação, segurança e infraestrutura deveriam existir para garantir condições mínimas de vida à população. Essa é a lógica básica de qualquer país minimamente organizado.

Mas então aparece a contradição que o brasileiro sente todos os dias na pele: se pagamos tanto imposto, por que ainda precisamos pagar tudo outra vez?

Plano de saúde, escola particular, segurança privada, seguro de vida, transporte próprio. O cidadão financia o Estado e, ao mesmo tempo, se vê obrigado a financiar individualmente aquilo que o próprio Estado deveria entregar com qualidade mínima.

E isso não é um problema do rico ou do pobre. Não é pauta exclusiva do empresário nem apenas do trabalhador. É uma questão nacional.

Infelizmente, o debate público brasileiro muitas vezes tenta transformar a sociedade em uma guerra permanente entre grupos. Empregado contra empregador. Classe produtiva contra trabalhador. Como se estivéssemos em lados opostos.

Mas não estamos.

Todos trabalham, pagam impostos e querem viver com dignidade.

Talvez esteja na hora de o Brasil parar um pouco com a gritaria ideológica polarizada e voltar a discutir as perguntas essenciais: qual é o tamanho adequado do Estado? Para onde vai o dinheiro público? Por que o cidadão sente tão pouco retorno diante da carga que suporta?

Porque, no fim das contas, o trabalhador brasileiro, seja ele empregado, empresário, autônomo, formal ou informal, acorda todos os dias movido pelo mesmo objetivo: melhorar de vida, construir dignidade e oferecer mais segurança e oportunidades para sua família. 

No fundo, todos estamos do mesmo lado. Todos trabalhamos, produzimos, pagamos impostos e ajudamos a sustentar este país. E exatamente por isso, todos merecemos algo básico em troca: serviços públicos eficientes, humanizados e capazes de garantir saúde, educação, segurança e dignidade para a população. 

Está na hora de o Brasil entender que essa não é uma luta entre ricos e pobres, empregados e empregadores. É uma causa coletiva de uma nação que trabalha muito e que merece ver seu esforço fazer sentido.

E isso, definitivamente, é da nossa conta.

 

 

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Paulo Cavalcanti

Paulo Cavalcanti

Empresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia

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