Cidadania

Soberania não é discurso; é prática

Paulo Cavalcanti
Colunista On: Paulo CavalcantiEmpresário, advogado e presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia
Soberania não é discurso; é prática

Há uma ideia confortável, porém perigosa, que se repete como um mantra: “todo poder emana do povo”. Soa bonito, quase solene. Mas, fora do campo das palavras, você já parou para pensar o que isso realmente quer dizer?

A reflexão desta semana parte de uma provocação simples: durante séculos, o poder esteve concentrado na figura de um rei. Uma só voz decidia o destino de todos. Com o avanço do Estado Democrático de Direito, essa lógica mudou, pelo menos no papel. O soberano deixou de ser um indivíduo e passou a ser o povo.

Mas há um problema evidente: povo não decide nada quando está disperso, sem organização.

A democracia não se sustenta apenas com eleições no intervalo de dois em dois anos. O voto é apenas a porta de entrada, não o exercício pleno do poder. Sem organização, sem articulação e sem presença, a soberania vira uma ideia que existe, mas não opera.

É aí que entra o ponto central da reflexão: o poder do cidadão só ganha corpo quando deixa de ser individual e passa a ser coletivo. Associações, federações, confederações, entidades de classe e movimentos organizados são espaços que transformam vontade em pressão legítima e opinião em influência concreta.

Não há romantismo aqui. Há apenas método.

Participar de uma reunião de condomínio, acompanhar decisões escolares ou integrar uma associação de bairro são gestos pequenos, quase banais, mas que formam a base de qualquer sociedade que pretende se governar de verdade.

No fim, a constatação é direta: soberania não é um título que se recebe; é uma função que se exerce.

E a maioria ainda não saiu da teoria.

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Paulo Cavalcanti

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