Drogômetro nas blitzes: entenda como o exame funciona e o que ele detecta
Drogas poderão ser identificadas com uso do drogômetro nas blitzes de trânsito; veja quais substâncias podem ser detectadas
Por Liven Paula.
Drogas poderão ser identificadas com o uso do drogômetro nas blitzes de trânsito. O cenário ocorre após a aprovação de novas regras para a fiscalização da Lei Seca pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). A mudança amplia os métodos que poderão ser utilizados pelos agentes durante as abordagens. Mas o que é o drogômetro e como fica a nova atuação dos agentes de trânsito?

Além da fiscalização relacionada ao consumo de álcool, a nova regulamentação prevê o uso de equipamentos específicos capazes de indicar a presença de substâncias psicoativas que podem comprometer a capacidade do motorista de dirigir.
Veja quais drogas poderão ser identificadas com drogômetro nas blitzes
Um dos equipamentos previstos é o chamado drogômetro, que pode utilizar uma amostra de saliva para verificar a presença de determinadas substâncias no organismo.
A reportagem do Aratu On entrou em contato com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para saber quais substâncias podem ser identificadas pelo aparelho.
Entre elas estão:
anfetamina;
cocaína;
MDMA, conhecido como ecstasy;
6-MAM, associado à heroína;
LSD;
THC, presente na cannabis;
fentanil;
cetamina;
K2, grupo de canabinoides sintéticos;
morfina;
metanfetamina; e
MDPV.
Drogômetro ainda não será usado imediatamente
Apesar da aprovação das novas regras, os motoristas não começarão a ser submetidos imediatamente a esse tipo de teste. Antes da utilização nas fiscalizações, os equipamentos destinados à identificação de substâncias psicoativas deverão passar pelos processos de certificação exigidos. Além disso, os procedimentos que vão orientar a aplicação dos testes ainda precisam ser regulamentados.

A nova regulamentação também não criou novas multas ou infrações de trânsito. A principal mudança está na ampliação dos recursos que poderão ser utilizados para identificar álcool e outras substâncias durante as abordagens.
Mesmo quando houver resultado positivo em uma triagem, outros procedimentos ou exames poderão ser realizados para confirmar a presença de uma substância psicoativa, conforme as regras estabelecidas para a fiscalização.
Fio de cabelo e consumo de drogas; entenda o exame toxicológico da primeira CNH na Bahia
O exame toxicológico da primeira CNH passou a ser obrigatório na Bahia para candidatos que vão emitir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B. A exigência começou a valer nesta terça-feira (9), por determinação do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA).

A obrigatoriedade passou a valer após a aprovação da Lei nº 15.153/2025 pelo Congresso Nacional, que modificou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e ampliou a exigência do exame toxicológico. Até então, o procedimento era restrito aos condutores das categorias C, D e E.
A novidade despertou dúvidas entre candidatos à primeira habilitação. Nas redes sociais, futuros motoristas passaram a buscar informações sobre o teste, principalmente sobre o processo de coleta, a parte do corpo utilizada para a análise e o período em que substâncias psicoativas, como maconha e cocaína, podem ser identificadas.
Para esclarecer as principais dúvidas sobre o exame toxicológico, o Aratu On conversou com a biomédica Jéssica Magalhães, que explicou como funciona a coleta, quais substâncias podem ser identificadas e quais fatores podem influenciar o resultado.
Quais drogas o exame consegue detectar?
O exame pode identificar diferentes classes de substâncias, dependendo do painel solicitado pelo laboratório. Entre elas estão anfetaminas, metanfetaminas, cocaína e seus metabólitos, maconha (THC), opiáceos, opioides e algumas drogas sintéticas.
"O exame toxicológico de larga janela tradicional não é destinado à detecção do consumo de álcool. Existem exames específicos para avaliação do consumo crônico de álcool, mas eles utilizam outros marcadores e são diferentes do exame utilizado para pesquisa de drogas", esclarece a biomédica.
Qual é o período de detecção?
De acordo com Jéssica, o exame consegue identificar o uso de determinadas substâncias ocorrido, em geral, nos últimos 90 dias quando realizado com cabelo, considerando o comprimento mínimo exigido para análise.
"Em média, a substância passa a ser detectável no cabelo cerca de 7 a 10 dias após o consumo. Esse é o tempo necessário para que o fio cresça e a substância incorporada fique acessível para a coleta", explica.
Medicamentos e procedimentos químicos podem interferir?
A biomédica alerta que medicamentos controlados devem ser informados durante a coleta. "Alguns medicamentos pertencem às mesmas classes das substâncias pesquisadas e podem ser detectados. Por isso, é importante informar ao laboratório os medicamentos utilizados mediante prescrição médica."
Sobre tinturas, alisamentos e outros procedimentos químicos, ela explica que eles podem alterar a estrutura do fio. "Os laboratórios utilizam metodologias validadas para minimizar essas interferências e, quando necessário, avaliam as condições da amostra antes da análise."
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