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Fio de cabelo e consumo de drogas; entenda o exame toxicológico da primeira CNH na Bahia

Exame toxicológico da primeira CNH na Bahia gera dúvidas entre candidatos; biomédica explica ao Aratu On como é feito o exame

Por Liven Paula.

O exame toxicológico da primeira CNH passou a ser obrigatório na Bahia para candidatos que vão emitir a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B. A exigência começou a valer nesta terça-feira (9), por determinação do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA).

A obrigatoriedade do exame toxicológico da primeira CNH na Bahia, passou a valer nesta terça-feira (7). | Foto: Divulgação

A obrigatoriedade passou a valer após a aprovação da Lei nº 15.153/2025 pelo Congresso Nacional, que modificou o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e ampliou a exigência do exame toxicológico. Até então, o procedimento era restrito aos condutores das categorias C, D e E.

A novidade despertou dúvidas entre candidatos à primeira habilitação. Nas redes sociais, futuros motoristas passaram a buscar informações sobre o teste, principalmente sobre o processo de coleta, a parte do corpo utilizada para a análise e o período em que substâncias psicoativas, como maconha e cocaína, podem ser identificadas.

Para esclarecer as principais dúvidas sobre o exame toxicológico, o Aratu On conversou com a biomédica Jéssica Magalhães, que explicou como funciona a coleta, quais substâncias podem ser identificadas e quais fatores podem influenciar o resultado.

Como é feito o exame toxicológico da primeira CNH ?

Segundo a especialista, o exame toxicológico de larga janela de detecção é realizado a partir da coleta de uma pequena amostra de cabelo ou pelos do corpo.

"O material coletado é identificado, lacrado e encaminhado ao laboratório, onde passa por uma análise capaz de identificar a presença de determinadas substâncias psicoativas e seus metabólitos incorporados aos fios", explica Jéssica.

 exame toxicológico da primeira CNH.| Foto: Reprodução

Cabelo ou pelos: qual material é utilizado?

A biomédica explica que a preferência é pelo cabelo, quando há comprimento suficiente para a realização do exame. "Quando isso não é possível, utilizam-se pelos corporais, como das pernas, braços, peito ou axilas."

Segundo ela, a diferença está principalmente na precisão da análise. "O cabelo permite uma estimativa mais precisa da janela de detecção, enquanto os pelos do corpo apresentam crescimento diferente e oferecem uma janela mais ampla, porém com menor definição temporal."

A coleta é feita, preferencialmente, na região posterior da cabeça, conhecida como occipital. "Essa área é escolhida por apresentar crescimento mais uniforme e permitir um melhor resultado estético após a coleta", afirma.

Jéssica explica que o procedimento não costuma deixar marcas visíveis. "A coleta é feita em pequenas mechas retiradas em diferentes pontos da região escolhida, preservando o aspecto estético. Quando realizada corretamente, o corte costuma ficar praticamente imperceptível".

 Exame toxicológico da primeira CNH. |Foto: Divulgação

Quais drogas o exame consegue detectar?

O exame pode identificar diferentes classes de substâncias, dependendo do painel solicitado pelo laboratório. Entre elas estão anfetaminas, metanfetaminas, cocaína e seus metabólitos, maconha (THC), opiáceos, opioides e algumas drogas sintéticas.

"O exame toxicológico de larga janela tradicional não é destinado à detecção do consumo de álcool. Existem exames específicos para avaliação do consumo crônico de álcool, mas eles utilizam outros marcadores e são diferentes do exame utilizado para pesquisa de drogas", esclarece a biomédica.

Qual é o período de detecção?

De acordo com Jéssica, o exame consegue identificar o uso de determinadas substâncias ocorrido, em geral, nos últimos 90 dias quando realizado com cabelo, considerando o comprimento mínimo exigido para análise.

"Em média, a substância passa a ser detectável no cabelo cerca de 7 a 10 dias após o consumo. Esse é o tempo necessário para que o fio cresça e a substância incorporada fique acessível para a coleta", explica.

Medicamentos e procedimentos químicos podem interferir?

A biomédica alerta que medicamentos controlados devem ser informados durante a coleta. "Alguns medicamentos pertencem às mesmas classes das substâncias pesquisadas e podem ser detectados. Por isso, é importante informar ao laboratório os medicamentos utilizados mediante prescrição médica."

Sobre tinturas, alisamentos e outros procedimentos químicos, ela explica que eles podem alterar a estrutura do fio. "Os laboratórios utilizam metodologias validadas para minimizar essas interferências e, quando necessário, avaliam as condições da amostra antes da análise."

O exame pode dar falso positivo?

Exame toxicológico da primeira CNH.| Foto: Reprodução/Governo Do Es

Segundo Jéssica, os testes possuem alta precisão e seguem protocolos para confirmar resultados. "Resultados inicialmente reagentes costumam ser confirmados por técnicas analíticas de elevada precisão, reduzindo significativamente a possibilidade de falso positivo."

Ela também destaca que existe um controle rigoroso desde a coleta. "São seguidos protocolos de identificação da amostra, utilização de materiais apropriados, acondicionamento adequado, lacre e documentação da cadeia de custódia, garantindo a rastreabilidade desde a coleta até a análise laboratorial."

O exame exige preparo? 

A especialista explica que não há necessidade de preparo específico. "O paciente apenas deve comparecer com documento de identificação e informar, quando solicitado, o uso de medicamentos prescritos."

Além disso, não é necessário jejum e a coleta não causa dor. "O exame é rápido, não invasivo e indolor, consistindo apenas no corte de uma pequena quantidade de cabelo ou de pelos."

Resultado positivo pode ter contraprova?

Sim. De acordo com Jéssica, é possível solicitar uma contraprova. "A disponibilidade e os procedimentos para sua realização dependem da política adotada pelo laboratório responsável pela análise."

Senado aprova renovação automática da CNH para bons condutores

O Senado Federal aprovou um projeto que prevê renovação automática da CNH para motoristas considerados “bons condutores”. A proposta beneficia motoristas inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) que não tenham cometido infrações sujeitas à pontuação nos 12 meses anteriores ao vencimento da habilitação.

A proposta mantém a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida como documento de identificação em todo o território nacional. O projeto também estabelece que o motorista poderá optar pela versão física ou digital do documento.

Senado aprova renovação automática da CNH para 'bons condutores'.| Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Mesmo com a renovação automática, os condutores continuarão obrigados a realizar exames de aptidão física e mental, além de avaliação psicológica nos casos previstos em lei. O texto ainda determina que os valores cobrados pelos exames tenham tarifa única, fixada por um órgão de trânsito federal, com reajuste anual baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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