Pastor Isidório diz que escala 5x2 dará tempo para trabalhadores 'fazerem sexo em paz'

O debate sobre a proposta que prevê o fim da escala 6x1 foi marcado por uma fala do deputado federal baiano Pastor Sargento Isidório

Por Bruna Castelo Branco.

O debate sobre a proposta que prevê o fim da escala 6x1 e a adoção da jornada 5x2 na Câmara dos Deputados teve momentos inusitados protagonizados pelo deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante-BA). Durante discussão no plenário, o parlamentar afirmou que a mudança permitiria aos trabalhadores “fazerem seu sexo em paz e com mais tranquilidade”, arrancando risadas de colegas.

A declaração ocorreu enquanto deputados discutiam a PEC que propõe reduzir a carga semanal de trabalho e ampliar os períodos de descanso dos empregados. Ao defender a medida, Isidório argumentou que a rotina atual prejudica a saúde, a convivência familiar e até a qualidade de vida dos trabalhadores.

O debate sobre a proposta que prevê o fim da escala 6x1 foi marcado por uma fala do deputado federal baiano Pastor Sargento Isidório. | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados/Divulgação

“A 5x2 garante aos trabalhadores e trabalhadoras o direito de melhor honrar e criar sua família, além de cuidar de sua saúde. O trabalhador doente, além de não render, quebra a máquina”, afirmou.

Na sequência, o deputado relacionou a redução da jornada ao aumento do tempo livre para a vida familiar e íntima. “Nessa escala 5x2, além de melhorar a vida das famílias, os trabalhadores e trabalhadoras terão tempo inclusive para terem mais filho, portanto, fazerem seu sexo em paz e com mais tranquilidade”, declarou. Veja:

O parlamentar também chamou atenção em outra sessão da comissão especial que analisa a proposta. Vestindo capacete e colete de operário, Isidório levou um cartaz preso ao corpo com a frase: “Trabalhadores têm família e não são robôs. Escala 5x2 já. Pastor Isidório”.

Durante o debate, ele improvisou uma música em defesa da redução da jornada de trabalho, acompanhado por batucadas feitas por deputados nas mesas da comissão. Em tom de palavra de ordem, cantou frases como “trabalhadores vão ganhar a batalha”, “oligarquia vai perder a batalha” e “com Jesus, trabalhadores ganharão a batalha”.

Antes da cantoria, Isidório afirmou que os trabalhadores são “a alavanca do progresso nacional” e disse que empresários, banqueiros, donos de indústria, comerciantes e fazendeiros precisam agir com “consciência, sensibilidade social e amor ao próximo”.

O deputado também argumentou que a redução da jornada envolve questões de saúde, dignidade e convivência familiar. “Trabalhador não é robô, trabalhador não é escravo”, afirmou.

Em outro trecho do discurso, criticou o que chamou de “patrões injustos”, “empresários malvados”, “banqueiros” e “oligarquias perversas”, afirmando que trabalhadores não podem ser tratados como peças descartáveis da economia.

O fim da escala 6x1, proposta debatida no Congresso Nacional, pode impactar diretamente 596.501 trabalhadores baianos. | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A música repetiu críticas a banqueiros e patrões e ainda incluiu elogios ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao relator da proposta, Leo Prates (Republicanos-BA), e a outros parlamentares envolvidos na discussão.

Isidório também aproveitou o debate para defender ampliação de direitos trabalhistas para terceirizadas, especialmente em relação à licença-maternidade. “Um país de inclusão social, de justiça social, não pode ter duas mulheres e dois tipos de criança”, declarou. Veja a música que o parlamentar cantou no plenário:

Fim da escala 6x1 pode alcançar mais de 596 mil pessoas na Bahia

O fim da escala 6x1, proposta debatida no Congresso Nacional, pode impactar diretamente 596.501 trabalhadores baianos. O dado faz parte de um levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o estudo, esse é o número de pessoas que hoje trabalham nesse modelo de jornada e que poderiam migrar para a escala 5x2 caso a mudança seja aprovada. O levantamento também aponta que 1.237.883 trabalhadores na Bahia já atuam no regime de duas folgas semanais, representando 67,48% do total analisado. Já os demais 32,52% seguem em jornadas com apenas um dia de descanso por semana.

Veja como deputados baianos votaram

A comissão aprovou o substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), que unificou duas propostas relacionadas à redução da jornada semanal de trabalho. Como relator da PEC, o parlamentar baiano votou favoravelmente ao texto construído em acordo com o governo federal e a presidência da Câmara.

  • Leo Prates (Republicanos-BA): votou “sim” ao relatório que apresentou na comissão especial.

  • José Rocha (União Brasil-BA): votou favoravelmente ao texto-base da proposta.

  • Lídice da Mata (PSB-BA): também votou “sim” à PEC.

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.