Câmara aprova em dois turnos PEC que reduz jornada e acaba com escala 6x1

A proposta acaba com a escala 6x1, atualmente prevista na legislação trabalhista

Por Dinaldo dos Santos.

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso remunerado. A proposta acaba com a escala 6x1, atualmente prevista na legislação trabalhista.

No segundo turno, a PEC 221/19 recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários. Já no primeiro turno, o texto foi aprovado por 472 votos a favor e 22 contra.

Câmara aprova fim da escala 6x1. Foto: Kayo Magalhães | Câmara dos Deputados

Matéria sobre escala 6x1 segue para o Senado

A matéria que seguirá para análise do Senado é um substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA). O texto unifica propostas do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que defendia jornada de 36 horas semanais, e da deputada Érika Hilton (Psol-SP), que propunha semana de quatro dias de trabalho.

A proposta estabelece que a redução da carga horária ocorrerá sem corte salarial e prevê um período de transição até a adoção definitiva das 40 horas semanais.

Pelas regras aprovadas, dois meses após a promulgação da futura emenda constitucional os trabalhadores regidos pela CLT passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Nesse mesmo prazo, a jornada semanal será reduzida para 42 horas.

A redução definitiva para 40 horas semanais ocorrerá 14 meses após a promulgação da PEC. Durante o período de transição, acordos e convenções coletivas poderão ampliar a jornada diária além de oito horas para adequação ao novo modelo, desde que sejam garantidos os dois dias de repouso semanal.

O texto também assegura que a mudança não poderá provocar redução de salários ou de pisos salariais. As novas regras valerão automaticamente para contratos já existentes.

Entre as exceções previstas estão trabalhadores com diploma de nível superior e renda superior a 2,5 vezes o teto da Previdência Social, atualmente equivalente a R$ 21,1 mil, além de empregados terceirizados vinculados a contratos com a administração pública.

A PEC ainda permite que leis específicas criem regimes diferenciados de jornada para determinadas categorias, respeitando o limite mínimo de dois dias de descanso semanal. Casos como escalas 12x36 e atividades essenciais nas áreas de saúde, segurança, transporte e limpeza urbana poderão ter regras próprias por meio de negociação coletiva.

Nessas situações, será possível compensar as folgas ao longo do mês, desde que sejam garantidos, em média, dois dias de repouso semanal remunerado.

Outro ponto previsto no texto é a perda de validade, dois meses após a promulgação da emenda, de cláusulas de acordos e convenções coletivas incompatíveis com as novas regras de jornada e descanso.

Para reduzir impactos sobre pequenos negócios, a proposta determina que uma lei complementar defina regras de transição para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte. As medidas deverão estar condicionadas à manutenção dos empregos.

Em relação aos contratos terceirizados com o poder público, a redução da jornada para 42 horas e posteriormente para 40 horas dependerá de aditivos contratuais entre as empresas prestadoras de serviço e a administração pública. Caso a adaptação não seja formalizada no prazo de um ano, as novas jornadas passarão a valer automaticamente.

Foto: Ilustração | Agência Brasil

Fim da escala 6x1 pode alcançar mais de 596 mil baianos

O fim da escala 6x1, proposta atualmente debatida no Congresso Nacional, pode impactar diretamente 596.501 trabalhadores baianos. O dado faz parte de um levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Segundo o estudo, esse é o número de pessoas que hoje trabalham nesse modelo de jornada e que poderiam migrar para a escala 5x2 caso a mudança seja aprovada. O levantamento também aponta que 1.237.883 trabalhadores na Bahia já atuam no regime de duas folgas semanais, representando 67,48% do total analisado. Já os demais 32,52% seguem em jornadas com apenas um dia de descanso por semana.

Projeto prevê redução da jornada e duas folgas semanais

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, apresentou detalhes das discussões sobre o possível fim da escala 6x1. Entre as propostas em debate estão a redução da carga horária semanal para 40 horas e a garantia de dois dias de folga por semana.

Segundo Motta, as medidas foram discutidas em reunião realizada nesta segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O plano prevê que, caso o projeto seja aprovado, a redução da jornada aconteça de forma gradual.

Em entrevista ao Aratu On, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, afirmou que a escala 6x1 atinge majoritariamente trabalhadores negros.

Durante a conversa, a ministra destacou que a população negra historicamente ocupa os postos mais precarizados e com menores salários no mercado de trabalho. Segundo ela, setores como comércio e serviços, marcados por jornadas extensas e baixa remuneração, concentram grande parte desses trabalhadores. “Quando falamos dessas áreas, também estamos tratando de rotinas exaustivas que impactam diretamente a população negra”, afirmou.

LEIA MAIS: Mega-Sena sorteia prêmio acumulado em R$ 6 milhões; veja como jogar

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.