'Escala 6x1 atinge principalmente trabalhadores negros', diz ministra
Rachel Barros, da Igualdade Racial, defendeu mudanças trabalhistas ao Aratu On: 'Escala 6x1 atinge principalmente trabalhadores negros', diz ministra
Por João Tramm.
A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, concedeu entrevista exclusiva ao Aratu On. No papo ela destacou ainda que os negros ocupam postos mais precarizados do mercado de trabalho, e afirma: 'Escala 6x1 atinge principalmente trabalhadores negros'.
“Historicamente, a população negra ocupa as profissões mais precarizadas e com os menores salários. Quando falamos desses setores, estamos falando também de jornadas muito extenuantes”, defendeu.
Segundo a ministra, setores como comércio e serviços, onde predominam jornadas exaustivas e baixos salários, concentram grande parcela de trabalhadores negros.

'Escala 6x1 atinge principalmente trabalhadores negros', diz ministra
Rachel defendeu que a proposta de redução da jornada sem corte salarial garantiria mais dignidade aos trabalhadores, além de ampliar o tempo dedicado à família, à saúde e ao cuidado com os filhos.
“A gente vai conseguir que essas pessoas tenham uma jornada mais digna, com tempo para qualidade de vida, para suas famílias e para cuidar da saúde”, disse.
A ministra também argumentou que a medida pode gerar impactos positivos até mesmo para as empresas, com redução do absenteísmo e melhoria das condições de trabalho.
Durante a entrevista, Rachel Barros rebateu críticas de setores empresariais que apontam possíveis prejuízos econômicos com o fim da escala 6x1. Para a ministra, discursos semelhantes surgiram em outros momentos históricos ligados à ampliação de direitos trabalhistas.
“Quando houve a abolição, diziam que o país quebraria. Quando tivemos legislação trabalhista, férias, 13º salário e reajustes salariais, o argumento era o mesmo”, pontuou.
Ela afirmou que, historicamente, avanços sociais não impediram o crescimento econômico do país. A ministra citou ainda estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada que apontam capacidade do mercado em absorver uma eventual redução da jornada para 40 horas semanais.
Segundo Rachel, experiências internacionais também reforçam os benefícios da proposta. Países como Islândia, Reino Unido e Portugal registraram manutenção ou aumento da produtividade após mudanças semelhantes.
“As receitas cresceram, houve queda na rotatividade e melhoria na saúde mental e física dos trabalhadores”, destacou.
A ministra também destacou dados relacionados à saúde mental dos trabalhadores. De acordo com ela, informações da Previdência Social apontaram mais de 546 mil afastamentos por sofrimento psíquico em 2025, sendo 60% dos casos envolvendo mulheres.
Ainda na entrevista, Rachel defendeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o governo federal está comprometido em garantir a diversidade nos principais postos de comando dos órgãos públicos. A fala acontece também próximo à escolha da indicação presidencial para ocupar o Supremo Tribunal Federal. O último indicado, Jorge Messias, teve seu nome negado pelo Senado.
Rachel Barros substitui Anielle Franco na pasta de Igualdade Racial. A irmã de Marielle Franco saiu do posto para lançar candidatura ao Congresso Nacional, o nome já era ventilado nos bastidores e ela chegou a ser questionada em janeiro sobre esta possibilidade ao Aratu On. Na época, ela deixou a dúvida no ar.

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