Novas regras para vale-refeição amplia opções de uso e reduz taxas; entenda

Novo decreto elimina exclusividade entre bandeiras, reduz taxas e promete mais liberdade de uso, mas enfrenta resistência no setor

Por Laraelen Oliveira.

O Governo Federal implementou novas regras para o vale-alimentação e o vale-refeição por meio do Decreto nº 12.712/2025, que já começa a valer em 2026. As mudanças atingem diretamente trabalhadores, empresas e estabelecimentos comerciais, em um mercado que movimenta cerca de R$ 150 bilhões anuais, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT).

O vale-refeição e o vale-alimentação fazem parte do Programa de Alimentação do Trabalhador, criado em 1976 para melhorar a qualidade nutricional dos trabalhadores/Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 

Entre as principais alterações estão a redução das taxas cobradas de restaurantes, a definição de prazos mais curtos para repasses e, principalmente, o fim da exclusividade por bandeira, medida que promete ampliar a concorrência e dar mais liberdade ao consumidor.

Fim da exclusividade obriga estabelecimentos a aceitarem todas as bandeiras

O ponto central da nova regulamentação é a interoperabilidade. Na prática, todos os estabelecimentos passam a ser obrigados a aceitar diferentes bandeiras de vale-refeição e alimentação, eliminando as limitações impostas por contratos exclusivos com operadoras.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), essa mudança deve aumentar a concorrência entre empresas do setor e reduzir custos operacionais. Por outro lado, operadoras apontam desafios técnicos e impactos nos contratos já existentes.

Limite de taxas e prazo de repasse menor aliviam custos para restaurantes

Para os estabelecimentos, o decreto traz mudanças significativas. A taxa de desconto cobrada pelas operadoras foi limitada a 3,6%, e o prazo máximo para repasse dos valores passou a ser de até 15 dias.

 

Antes das novas regras, taxas cobradas por operadoras podiam ultrapassar 6%, o que impactava diretamente o preço final das refeições para o consumidor/Foto: Reprodução 

Segundo o MTE, essas medidas buscam reduzir a pressão sobre as margens de lucro dos restaurantes, tornando o sistema mais equilibrado. No entanto, empresas participantes do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) precisarão se adaptar a regras mais rígidas de fiscalização.

Trabalhadores ganham mais liberdade de uso, mas com regras mantidas para alimentação

As novas regras devem impactar cerca de 22 milhões de brasileiros. Com o fim da exclusividade entre bandeiras, os usuários ganham mais autonomia para utilizar o benefício em uma rede maior de estabelecimentos.

Apesar da ampliação do uso, o decreto mantém a obrigatoriedade de que os valores sejam destinados exclusivamente à alimentação, proibindo gastos com outros tipos de produtos ou serviços.

Pequenos restaurantes e estabelecimentos independentes devem ser os mais beneficiados com a redução das taxas, já que operam com margens de lucro mais apertadas/Foto: Reprodução

Operadoras com mais de 500 mil usuários terão prazo até novembro de 2026 para adaptar seus sistemas às novas exigências.

Disputas judiciais e necessidade de revisão de contratos marcam transição

A implementação das mudanças não ocorre sem resistência. Empresas como Alelo e Ticket acionaram a Justiça para tentar suspender o decreto. Ainda assim, a Advocacia-Geral da União (AGU) obteve decisões favoráveis que garantem a continuidade da norma e o cumprimento do cronograma.

Além das disputas judiciais, empresas precisarão revisar contratos e ajustar operações ainda em 2025. A partir de agora, acordos que não estejam alinhados às novas diretrizes, especialmente sobre taxas e aceitação ampla, não poderão ser renovados.

Novo modelo deve intensificar concorrência e mudar estratégia das operadoras

As mudanças redesenham a dinâmica do setor de benefícios corporativos. Com menor custo para estabelecimentos e maior liberdade para usuários, o modelo tende a se tornar mais eficiente e competitivo.

Ao mesmo tempo, as operadoras precisarão investir em tecnologia e adaptação estrutural para se manter relevantes. A expectativa é que, até 2026, a disputa deixe de girar em torno da exclusividade e passe a focar em preço, inovação e escala, fatores que devem impactar diretamente as margens e a participação de mercado das empresas.

Projeto de lei pode garantir água gratuita em bares e restaurantes

A oferta de “água da casa” pode passar a ser um direito assegurado por lei em todo o país. Está em análise na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 841/26, que determina que bares, restaurantes e estabelecimentos semelhantes disponibilizem água potável gratuita aos clientes. De autoria do deputado Pedro Aihara (PP-MG), a proposta também tem como objetivo reduzir os impactos ambientais causados pelo consumo e descarte de garrafas plásticas.

O texto segue agora o rito legislativo comum. Ainda precisa ser aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal/Foto: Freepik

Comissão aprova proposta que veta radares de trânsito ocultos

A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4751/24, que proíbe a utilização de radares de trânsito escondidos e estabelece regras mais rigorosas para a instalação desses equipamentos no Brasil. O texto, relatado pela deputada Rosana Valle (PL-SP), propõe mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), priorizando uma fiscalização mais transparente e com caráter educativo, em vez de apenas punitivo.

Siga a gente no InstaFacebookBluesky e X. Envie denúncia ou sugestão de pauta para (71) 99940 – 7440 (WhatsApp).

Comentários

Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Aratu On.

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.