Com ameaça de "cidade cheia de ratos", garis de Salvador avaliam nova paralisação
Sindilimp-BA avalia greve nesta semana em Salvador; categoria cobra aprovação do PL 4146/2020, que prevê piso salarial nacional de R$ 3.036 para garis
Por Victor Souza.
O Sindicato dos Trabalhadores de Limpeza do Estado da Bahia (Sindilimp-BA) vai realizar uma reunião para avaliar a possibilidade de uma nova paralisação em Salvador, nesta semana. Um novo ato pode ocorrer após a categoria paralisar as atividades na última sexta-feira (15) na capital baiana.

A ação cobrou valorização, respeito e melhores condições para classe. O protesto ocorreu em defesa da aprovação do Projeto de Lei 4146/2020, que estabelece novos direitos para a categoria, incluindo piso salarial nacional e benefícios trabalhistas.
Em entrevista ao Aratu ON, nesta segunda-feira (18), o secretário-geral do Sindilimp-BA, Luiz Suíca, revelou que o encontro deve ser promovido até terça-feira (19), para avaliar os próximos passos, possivelmente uma paralisação mais longa ou protestos.
“É possível sim uma paralisação, não só de 24 horas, mas que possa perdurar até que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, possa pautar o nosso projeto. Estamos preparando o campo”, disse.
“Estamos preparando o campo. Nós não queremos prejudicar a cidade de forma alguma, nós não queremos a cidade cheia de ratos e baratas, mas nós queremos também ser respeitados”, afirmou ao site.
PL dos garis
O Projeto de Lei 4146/2020, conhecido como “PL dos Garis”, pode gerar um impacto estimado em R$ 24 milhões por mês nos contratos de limpeza urbana de Salvador, segundo o Sindicato das Empresas Privadas de Resíduos Sólidos e Limpeza Urbana do Estado da Bahia (SEMPRES/BA).
A proposta, aprovada pela Câmara dos Deputados em março de 2026, aguarda análise no Senado Federal e estabelece novos direitos para trabalhadores da coleta de resíduos e conservação de áreas públicas, incluindo piso salarial nacional de R$ 3.036 mensais.
Atualmente, o piso da categoria em Salvador é de R$ 1.693,78 para jornada de 44 horas semanais. Com a previsão de adicional de insalubridade em grau máximo, equivalente a 40% do salário-base, a remuneração pode chegar a R$ 4.250,40 mensais.
Segundo o sindicato patronal, Salvador possui cerca de 4 mil agentes de limpeza urbana distribuídos entre os dois consórcios responsáveis pela operação na capital baiana. A entidade afirma que os contratos atuais não preveem o aumento de custos e defende a renegociação com a prefeitura.
“Esses trabalhadores merecem reconhecimento e salário digno. Essa pauta é justa. O que precisamos é que a prefeitura sente à mesa agora, antes que a lei entre em vigor, para que possamos garantir a continuidade do serviço que protege a saúde de todos os soteropolitanos”, afirmou Fábio Rubens de Sousa Andrade.
Além do novo piso salarial, o texto prevê aposentadoria especial para trabalhadores expostos a condições prejudiciais à saúde, vale-alimentação, cesta básica, plano de saúde e normas obrigatórias de segurança e medicina do trabalho.
O projeto também estabelece regras relacionadas ao transporte dos trabalhadores em veículos de coleta, seguindo normas do Código de Trânsito Brasileiro.

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