PIX e Zelle: entenda as diferenças entre os sistemas de pagamento
Conheça as diferenças entre as formas de pagamento Pix e Zelle e a comparação entre o sistema brasileiro e estadunidense
Por Laraelen Oliveira.
O sistema de pagamentos instantâneos Zelle voltou ao centro das discussões nesta semana após ser comparado ao PIX pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro durante entrevista à rádio TMC. A declaração ocorreu em meio a críticas do governo do presidente Donald Trump ao modelo brasileiro, sob a alegação de que o país favoreceria o PIX em detrimento de empresas americanas.
O Banco Central também anunciou um pacote de atualizações para o Pix, com previsão de implementação gradual até o fim deste ano.
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Pix x Zelle: como funcionam os dois sistemas
Apesar de ambos permitirem transferências rápidas entre usuários, PIX e Zelle apresentam diferenças importantes em sua estrutura, abrangência e funcionamento.
Criado pelo Banco Central do Brasil e lançado em 2020, o PIX é um sistema público de pagamentos instantâneos. Além de desenvolver a ferramenta, o Banco Central também é responsável por sua regulamentação e pela infraestrutura tecnológica que garante sua operação.

Já o Zelle foi lançado em 2017 como uma iniciativa privada do sistema bancário dos Estados Unidos. A plataforma pertence à Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos americanos, entre eles Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
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Integração e alcance
Atualmente, tanto o PIX quanto o Zelle estão limitados a transferências entre contas nacionais, embora o Banco Central brasileiro estude a possibilidade de permitir operações internacionais no futuro.
A principal diferença está na integração com o sistema financeiro. O PIX pode ser utilizado em qualquer banco, fintech ou instituição financeira autorizada pelo Banco Central. Já o Zelle funciona apenas nas instituições participantes da rede.

Segundo dados oficiais, o Zelle está disponível em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito nos Estados Unidos. No Brasil, o PIX já alcança cerca de 80% da população, sendo utilizado por mais de 170 milhões de pessoas físicas.
Uso no cotidiano
O PIX possui uma gama mais ampla de aplicações. Além das transferências entre pessoas, ele pode ser utilizado para pagamentos em estabelecimentos comerciais, transações entre empresas, recolhimento de tributos e pagamento de contas e boletos.
O Zelle, por sua vez, é voltado principalmente para transferências entre pessoas físicas e pequenas empresas.
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Outro diferencial é o custo. Para pessoas físicas, o PIX é gratuito. No caso das empresas, as tarifas costumam ser menores em comparação com outros meios de pagamento. Nos Estados Unidos, o uso do Zelle pode estar sujeito às regras de cada banco, embora a maioria das instituições não cobre taxas dos consumidores.
Em relação à velocidade, o PIX realiza operações em poucos segundos. O Zelle também oferece transferências rápidas, mas a disponibilização do valor pode levar alguns minutos.
Cancelamento e devolução de valores
No Zelle, o cancelamento de uma transferência só é possível se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma. Caso o usuário já esteja registrado, o valor é enviado diretamente para sua conta bancária e não pode ser revertido.
O PIX conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado para auxiliar vítimas de golpes e fraudes. No entanto, o Banco Central ressalta que a devolução não é garantida, pois depende da análise do caso e da existência de saldo disponível na conta do recebedor.

Em situações de transferência feita por engano, não existe uma norma específica do Banco Central para obrigar a devolução. Ainda assim, a instituição orienta que o consumidor procure o banco para tentar recuperar o valor. Além disso, o aplicativo bancário permite que o próprio recebedor devolva o dinheiro de forma simples e direta.
Outro debate envolvendo o sistema no Brasil é a integração com os ônibus de Salvador, podendo passar a aceitar o pagamento em pix e cartões bancários. A proposta está prevista em um Projeto de Lei (PL) apresentado pelo vereador Cezar Leite (PL) e protocolado na Câmara Municipal.).
Atualmente, o pagamento das passagens no transporte coletivo da capital é realizado principalmente por meio do Cartão SalvadorCARD e da integração com o cartão do metrô. Com a nova proposta, as opções de pagamento seriam ampliadas, permitindo o uso de cartões de débito, crédito, pré-pagos, carteiras digitais e transferências instantâneas via Pix.
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