PIB da Bahia: quanto estado produz e qual posição no Brasil?

PIB da Bahia é sétimo do Brasil, maior do Nordeste e corresponde q quase um terço da participação na região

Por Matheus Caldas.

A Bahia consolidou-se, em 2022, como a sétima maior economia do Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 402,6 bilhões, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI).

O resultado correspondeu a 4% da economia nacional, mantendo o estado na liderança do Nordeste e reforçando a importância baiana no cenário regional. Com extensão territorial de 564,7 mil km² e população estimada em 14,8 milhões de habitantes em 2024, a Bahia reúne diversidade produtiva e peso demográfico que explicam a relevância de seu PIB na economia brasileira.

Serviço e comércio lideram participação no PIB da Bahia | Foto: Bruno Concha/Secom

Ranking nacional do PIB em 2022

No comparativo nacional, São Paulo mantém larga vantagem como maior economia do país, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os dez primeiros colocados, apenas Bahia e Pernambuco representam o Nordeste (veja abaixo).

  1. São Paulo – R$ 3,3 trilhões (31,1% do PIB nacional)
  2. Rio de Janeiro – R$ 1,1 trilhão (10,5%)
  3. Minas Gerais – R$ 934,4 bilhões (8,8%)
  4. Rio Grande do Sul – R$ 643,6 bilhões (6,1%)
  5. Paraná – R$ 631,5 bilhões (5,9%)
  6. Santa Catarina – R$ 505,5 bilhões (4,8%)
  7. Bahia – R$ 402,6 bilhões (3,8%)
  8. Distrito Federal – R$ 364,4 bilhões (3,4%)
  9. Pernambuco – R$ 299,2 bilhões (2,8%)
  10. Goiás – R$ 290,4 bilhões (2,7%)

Os números reforçam a distância entre a Bahia e os grandes polos do Sudeste e do Sul, mas também mostram a liderança regional do estado. Enquanto Pernambuco aparece na 9ª colocação e Ceará ocupa posições intermediárias, a Bahia se mantém como única representante nordestina entre as sete maiores economias do país.

Evolução e composição do PIB baiano

Nas últimas duas décadas, a economia baiana apresentou oscilações que refletem tanto o desempenho nacional quanto particularidades locais. Em 2010, os serviços representavam 63,4% do PIB do estado, enquanto a indústria respondia por 23,5% e a agropecuária, por 13,1%.

Doze anos depois, em 2022, a participação setorial sofreu alterações: os serviços passaram a corresponder a 62,7%, a indústria a 26% e a agropecuária a 11,3%. A redução relativa da agropecuária, apesar de sua força em determinadas regiões, reflete o avanço de segmentos industriais e de serviços, especialmente nos centros urbanos.

O desempenho recente confirma essa tendência. No primeiro trimestre de 2025, o PIB da Bahia totalizou R$ 138,5 bilhões, com crescimento real de 3,2% frente ao mesmo período do ano anterior. O agronegócio, embora estratégico, cresceu apenas 1,4% em termos reais no período, o que reduziu sua participação relativa no PIB estadual para 14,3%.

Agropecuária tem terceira maior participação no PIB da Bahia | Foto: Antonio Queirós/GOVBA

Comparação com o Nordeste e com o Brasil

Quando comparada aos demais estados nordestinos, a Bahia mantém ampla vantagem. Em 2022, a participação foi de 29% no PIB regional, praticamente o dobro do segundo colocado, Pernambuco, que ficou em torno de 14%. 

A concentração é ainda mais evidente quando se observa o peso da Região Metropolitana de Salvador, responsável por 39,3% da economia baiana. Em seguida aparecem o Portal do Sertão (Feira de Santana e entorno), com 8%, e o Extremo Sul, com 7%. Esses territórios formam o núcleo de maior dinamismo econômico do estado.

No cenário nacional, a Bahia ocupa posição de destaque entre as unidades federativas mais populosas. Apesar de ser o quarto estado em número de habitantes, está na 18ª colocação em PIB per capita, com R$ 28.483,93, o que revela disparidades entre tamanho econômico e distribuição de renda. Ainda assim, lidera o Nordeste nesse indicador, acima de estados como Pernambuco e Ceará.

Municípios e polos econômicos de maior peso

O protagonismo na geração de riqueza está fortemente associado a alguns municípios. Salvador, capital e principal polo de serviços, concentra a maior fatia do PIB estadual. Feira de Santana, segunda maior cidade, destaca-se como entreposto logístico e comercial.

Camaçari se sobressai pela indústria, especialmente no polo petroquímico, enquanto Vitória da Conquista, Juazeiro, Itabuna e Ilhéus assumem papéis regionais importantes. No setor exportador, municípios como Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Barreiras são líderes, graças à força do agronegócio, sobretudo soja, algodão e milho.

Em 2024, cinco municípios responderam por quase 60% das exportações baianas: São Francisco do Conde (19,4%), Luís Eduardo Magalhães (18,4%), Camaçari (8,7%), Mucuri (7,2%) e Barreiras (6,2%). Entre os principais destinos das exportações baianas estão China, Estados Unidos e Espanha.

Veja 10 maiores PIBs da Bahia

  1. Salvador – R$ 96,6 bilhões
  2. Feira de Santana – R$ 21,4 bilhões
  3. Vitória da Conquista – R$ 13,5 bilhões
  4. Camaçari – R$ 12,9 bilhões
  5. Juazeiro – R$ 11,7 bilhões
  6. Lauro de Freitas – R$ 10,6 bilhões
  7. Itabuna – R$ 9,8 bilhões
  8. Ilhéus – R$ 9,2 bilhões
  9. Porto Seguro – R$ 8,7 bilhões
  10. Barreiras – R$ 8,4 bilhões

Polo Industrial de Camaçari é importante no PIB da Bahia | Foto: Thuane Maria/GOVBA

O Semiárido e sua contribuição

O Semiárido, que ocupa 85,6% do território baiano e abriga 7,5 milhões de pessoas, corresponde a 53,1% da população estadual. Em 2021, sua participação no PIB da Bahia foi de 39,6%, com destaque absoluto na agropecuária, setor no qual respondeu por 73,8% da produção estadual. Também teve peso relevante na indústria (30,4%) e nos serviços (40,4%).

A região semiárida concentra municípios estratégicos como Juazeiro, importante polo da fruticultura irrigada, e Vitória da Conquista, referência no setor de serviços. Apesar das limitações climáticas, o Semiárido baiano apresenta dinamismo produtivo e relevância social, mas enfrenta desafios em indicadores de saúde e desenvolvimento humano, como taxa de mortalidade infantil e menor presença de profissionais médicos.

Agronegócio em expansão, mas com desafios

O agronegócio baiano é responsável por 14,3% da economia estadual, movimentando R$ 19,8 bilhões no primeiro trimestre de 2025. O segmento é formado pela agropecuária, insumos, agroindústria e serviços relacionados, como transporte e comercialização. Embora tenha registrado expansão nominal de 14,3% em comparação a 2024, em termos reais o crescimento foi de 1,4%, puxado pela produção agropecuária, que teve aumento de 10% no volume.

A Bahia é o maior produtor de frutas do Brasil em valor, com destaque para manga, mamão, banana e cacau. Também é líder na produção de algodão e ocupa posições de destaque em soja e milho. No setor pecuário, tem o segundo maior rebanho de ovinos do país e está entre os dez maiores produtores de bovinos e aves.

Indústria e serviços: motores da economia

A indústria responde por 26% do PIB baiano, com destaque para o polo petroquímico de Camaçari, a produção de papel e celulose em municípios como Mucuri e Eunápolis, e a indústria química. Já os serviços representam 62,7% da economia do estado, com peso significativo da administração pública (19,1%), comércio (12,4%) e atividades imobiliárias (8,2%). Salvador concentra a maior parte do setor, mas cidades médias como Feira de Santana também exercem papel fundamental.

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