Facções criminosas usam influenciadores para lavar dinheiro, aponta PF
Polícia Federal investiga influenciadores e artistas suspeitos de ligação com esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo tráfico de drogas, apostas ilegais e facções criminosas
Por Rosana Bomfim.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em diferentes estados apontam que facções criminosas estariam utilizando influenciadores digitais, artistas e criadores de conteúdo para lavar dinheiro e ocultar recursos provenientes de atividades ilegais.

Facções criminosas usam influenciadores para lavar dinheiro
Ao SBT News, a Polícia Federal informou que o esquema envolveria a utilização de redes sociais, contratos publicitários, shows, rifas clandestinas e empresas de fachada para justificar movimentações financeiras suspeitas ligadas ao tráfico de drogas, apostas ilegais e outras práticas criminosas.
De acordo com investigadores, o grande alcance nas plataformas digitais e os altos valores movimentados por campanhas publicitárias e ações comerciais facilitariam a inserção de dinheiro ilícito no mercado formal. A ostentação de carros de luxo, joias, imóveis e viagens também costuma chamar a atenção durante apurações sobre lavagem de dinheiro.
Entre os casos investigados está o do influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como “Buzeira”, preso em fevereiro durante uma operação da Polícia Federal. Ele é suspeito de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico internacional de drogas.
Em abril, os cantores MC Poze do Rodo e MC Ryan SP também passaram a ser investigados. Segundo a PF, eles teriam ligação com um esquema que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão envolvendo apostas ilegais, tráfico de drogas, rifas clandestinas e empresas de fachada.
O rapper Oruam também é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro. A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã da última quinta-feira (21), durante uma operação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Como funciona o esquema?
Segundo a desembargadora Ivana David, as organizações criminosas modernizaram as estratégias para ocultar recursos ilícitos, misturando dinheiro do crime com receitas obtidas por meio de publicidade, plataformas digitais e atividades comerciais ligadas aos influenciadores.
Além das investigações financeiras, especialistas alertam para o impacto do conteúdo divulgado nas redes sociais. Ivana David destacou a importância de que usuários reflitam sobre os valores promovidos por determinados influenciadores antes de transformá-los em referência.
As investigações seguem em andamento, e todos os citados têm direito à ampla defesa.
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