Chefe do BDM tem transferência barrada para presídio na Bahia; entenda motivo
Justiça considerou o grau de periculosidade de “Motoboy”, que acumula mais de 63 anos de condenações e é apontado como uma das lideranças do Bonde do Maluco
Por Victor Hernandes.
A Justiça da Bahia barrou a transferência de um dos principais chefes do Bonde do Maluco (BDM) para o Conjunto Penal de Feira de Santana. Identificado como Edmilson dos Santos, conhecido como “Motoboy”, o detento é apontado pelo Judiciário como uma das lideranças da facção criminosa.

A decisão foi publicada nesta segunda-feira (17) e reconsiderou uma autorização inicial para que o preso, atualmente custodiado no Conjunto Penal Masculino de Salvador, fosse transferido para a unidade prisional de Feira de Santana.
Segundo a decisão obtida pelo Aratu On, a transferência ocorreria por meio de uma permuta com o preso Anderson Monteiro da Cruz. Inicialmente, o Judiciário de Feira de Santana havia concordado com a mudança, mas a decisão foi posteriormente reconsiderada.
Entre os motivos apresentados está o alto grau de periculosidade atribuído a “Motoboy”, além da posição de comando que ele exerceria dentro do BDM.
Quem é “Motoboy”, apontado como chefe do BDM
Edmilson dos Santos possui um histórico de condenações que totaliza 63 anos, 4 meses e 12 dias de prisão, em regime fechado. De acordo com a Justiça, ele ocupa uma posição de comando no Bonde do Maluco (BDM) e mantém relação com atividades ligadas ao tráfico de drogas.
A decisão também aponta que Feira de Santana é considerada um dos principais redutos de atuação de “Motoboy”. Por isso, a eventual presença dele na cidade poderia aumentar, segundo o Judiciário, o risco de rearticulação da facção e de desestabilização da ordem pública.
Superlotação é citada como risco no presídio
Outro fator considerado pela Justiça foi a situação do Conjunto Penal de Feira de Santana. Segundo a decisão, a unidade prisional opera com um excedente superior a 900 presos em relação à capacidade nominal.
Para o Judiciário, a superlotação compromete as condições de controle e fiscalização necessárias para impedir que lideranças criminosas mantenham comunicação com integrantes que estão fora do sistema prisional.
A decisão também cita registros de entrada de celulares e outros dispositivos eletrônicos na unidade.
Fuga de presos do BDM também é mencionada
O histórico recente de segurança do Conjunto Penal de Feira de Santana também foi utilizado como argumento para barrar a transferência. Entre os episódios citados está a fuga de três presos apontados como integrantes do BDM, ocorrida em outubro do ano passado.
A Justiça considerou esses registros ao avaliar os riscos relacionados à transferência de “Motoboy” para a unidade.
Diante dos elementos apresentados, foi determinada a suspensão de qualquer trâmite administrativo para a transferência do detento.
Detento fugiu do presídio de Feira de Santana
A decisão envolvendo “Motoboy” ocorre em meio a outro episódio relacionado à segurança do Conjunto Penal de Feira de Santana. Um detento que cumpria pena em regime semiaberto fugiu da unidade enquanto realizava uma atividade de manutenção no complexo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap).
O interno foi identificado como Edson Mascarenhas Primo, conhecido como “Katuí”. Segundo a Seap, ele realizava um reparo na rede elétrica de um dos pavilhões quando ocorreu a fuga. Ele foi recapturado dias depois da fuga.
Após a constatação da evasão, o Batalhão de Guardas da Polícia Militar foi acionado. Equipes das forças de segurança também realizaram buscas na região, incluindo uma área de mata localizada nas proximidades do complexo e pertencente ao Exército.
Presos foram condenados por mortes dentro de presídio em Feira
Quatro homens foram condenados a 26 anos de reclusão pelo triplo homicídio de detentos ocorrido no Conjunto Penal de Feira de Santana, na Bahia. A sentença foi proferida nesta sexta-feira (24) pelo Tribunal do Júri. Um quinto réu foi julgado e absolvido pelo crime, que aconteceu em 7 de janeiro de 2023, dentro do Pavilhão 8 da unidade prisional.
Os réus condenados foram Jefferson Assis do Vale, John Lenon Matias Pereira, José Roberto Santos de Jesus e Túllio Santos Carneiro. Eles foram responsabilizados por homicídio qualificado, por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas e por meio cruel.
O réu Diogo de Jesus Alberto foi absolvido, após os jurados reconhecerem a materialidade do crime, mas considerarem que ele não participou dos homicídios.

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