Caso de perito preso por importunação sexual dentro de delegacia na Bahia é encaminhado à Justiça
Perito criminal de 40 anos foi preso em flagrante em Luís Eduardo Magalhães; além da investigação criminal, ele foi afastado das funções e é alvo de PAD
Por Victor Hernandes.
O caso do perito criminal de 40 anos, preso em flagrante por importunação sexual e por gravar uma colega da corporação sem roupa, foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). O episódio ocorreu no último domingo (27), dentro de uma delegacia em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia.

Após a prisão, o perito foi afastado das atividades por 60 dias e também passou a responder a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que vai apurar a conduta dele. Em entrevista ao Aratu On nesta quarta-feira (30), o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia, André Vianna, confirmou que o suspeito foi autuado em flagrante.
Caso do perito foi encaminhado ao Judiciário
Segundo André Vianna, os procedimentos relacionados à prisão foram encaminhados ao Judiciário e ao Ministério Público, que deverão avaliar o caso dentro das respectivas atribuições.
“A partir do momento que existe uma falha humana no sentido de um criminoso atuar numa ação dessa, nós identificamos, efetuamos todo o procedimento tratando como criminoso e efetuando o encaminhamento à apreciação do Judiciário e à chancela do Ministério Público”, afirmou o delegado-geral ao Aratu On.
“O procedimento vai ser encaminhado e seguir o seu curso a nível de processo criminal. Ele foi autuado em flagrante”, acrescentou.
O perito permanece afastado das funções enquanto também é apurada administrativamente a conduta atribuída a ele.
Polícia Civil comenta atuação contra violência em torcidas
Durante a entrevista, o delegado-geral também comentou a atuação integrada da Polícia Civil, por meio do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (DEIC) e do Departamento de Narcóticos (Denarc), com o Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em operações relacionadas à violência envolvendo torcidas organizadas.
Segundo André Vianna, o trabalho tem como objetivos a prevenção de crimes, a responsabilização de envolvidos e a garantia da segurança nos estádios.
“Tivemos indícios de tortura verificados, então indivíduos foram autuados e realmente entendemos que foi um sucesso, mas principalmente não só trazendo autores à responsabilidade criminal, mas trazendo prevenção”, afirmou.
O delegado destacou ainda que torcedores devem poder acompanhar partidas sem envolvimento em episódios de violência.
Operação investiga denúncias de tortura na Bamor
A declaração ocorreu após uma operação deflagrada na segunda-feira (28) pelo Ministério Público da Bahia, por meio do Gaeco, em conjunto com órgãos da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA) e das polícias Civil e Militar.
A ação investiga denúncias de tortura física e psicológica contra integrantes da própria Bamor. Ao todo, dez pessoas foram presas e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador.
Segundo as investigações, pelo menos duas pessoas teriam sido submetidas a sessões de tortura dentro da sede da torcida organizada, em julho deste ano. As vítimas teriam sido pressionadas a admitir supostas irregularidades e, durante os episódios, teriam sofrido agressões físicas, ameaças, sufocamento e afogamento.
Ainda conforme as apurações, as agressões teriam durado horas e incluído o uso de objetos como tacos de beisebol, martelo e faca. Além das suspeitas de tortura, a operação também investiga possíveis crimes de roubo, extorsão, ameaça e associação criminosa.
Entre os presos estão o presidente da Bamor, Matheus Castro, o vice-presidente da organizada, Luciano Venâncio, outros dirigentes e um policial militar.

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