Setembro Amarelo: como a música pode ajudar a controlar as emoções e reduzir o estresse
Ouvir música pode ser uma aliada para lidar com as emoções, especialmente em momentos de estresse, ansiedade e tristeza
Por Bruna Castelo Branco.
Ouvir música pode ser uma aliada para lidar com as emoções, especialmente em momentos de estresse, ansiedade, tristeza ou dificuldade para expressar sentimentos. Segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV), a atividade pode ajudar no processo de compreensão e regulação emocional.
Segundo pesquisa de Molly Warren, mestre em Musicoterapia pela Universidade do Estado de Colorado, nos Estados Unidos, a música também pode auxiliar durante processos de recuperação de traumas e luto, além de atuar como calmante e regulador das emoções.
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As características rítmicas e repetitivas das músicas podem contribuir para reduzir a impulsividade e promover uma sensação de calma. A escolha das canções, porém, também pode influenciar o estado emocional.
Em momentos de tristeza, raiva ou ansiedade, por exemplo, é comum optar por músicas que correspondam ao sentimento vivido. Embora isso possa ajudar na expressão das emoções, manter esse tipo de conteúdo por muito tempo pode prolongar o estado emocional. Uma alternativa é mudar gradualmente para músicas mais serenas e otimistas.
Música como forma de expressão
Além de ouvir, tocar instrumentos pode ser uma maneira de expressar emoções. A atividade permite criar combinações de sons e melodias capazes de representar sentimentos que nem sempre são fáceis de colocar em palavras.
Outra possibilidade é escrever letras de músicas. A atividade pode contribuir para a expressão dos sentimentos, além de estimular o autoconhecimento e a autoestima. A criação pode ser feita de forma privada, sem a necessidade de compartilhá-la com outras pessoas.

A música também pode ser incorporada à rotina de acordo com diferentes objetivos. Para momentos de concentração, por exemplo, músicas clássicas podem ser uma alternativa. Já para atividades físicas ou tarefas domésticas, canções favoritas e mais animadas podem ajudar na motivação.
Para quem busca relaxamento, músicas mais tranquilas podem favorecer um estado de calma. Sons graves e lentos também são associados ao relaxamento e podem ser utilizados por algumas pessoas antes de dormir.
Música e interação social
O contato com a música também pode favorecer conexões sociais. Compartilhar playlists, participar de aulas de música ou frequentar shows são algumas formas de aproximar pessoas com interesses em comum.
A variedade de gêneros e estilos permite ainda criar playlists para diferentes situações, como exercícios físicos, viagens ou momentos de descanso. A música pode influenciar o humor e contribuir tanto para momentos de maior disposição quanto para períodos de introspecção.

Estudos apontam benefícios
Um estudo realizado por pesquisadores da Queen’s University Belfast, na Irlanda do Norte, avaliou os efeitos da musicoterapia em crianças e adolescentes com problemas emocionais, comportamentais e de desenvolvimento.
A pesquisa acompanhou 251 participantes entre março de 2011 e maio de 2014. Eles foram divididos em dois grupos: 128 receberam terapia tradicional, enquanto 123 participaram também de sessões de terapia musical.
Segundo os resultados divulgados pelos pesquisadores, o grupo que participou da terapia com música apresentou aumento da autoestima, redução dos sintomas de depressão e melhora nas habilidades de comunicação e interação em comparação com o grupo de controle.
A música também está relacionada à liberação de dopamina no cérebro, neurotransmissor associado à sensação de recompensa e bem-estar.

Musicoterapia
A musicoterapia utiliza elementos musicais dentro de um processo terapêutico e pode envolver atividades como tocar instrumentos, cantar ou se movimentar conforme a música. As estratégias são definidas de acordo com as necessidades de cada paciente.
A prática pode ser utilizada com crianças, adolescentes, adultos e idosos em diferentes contextos. Pessoas com dificuldades de aprendizagem, Alzheimer, danos cerebrais e outras condições também podem participar de intervenções musicoterapêuticas, conforme avaliação profissional.
Não é necessário ter conhecimento ou formação musical para participar de uma sessão de musicoterapia.

Conheça alguns benefícios relacionados à música
Aumenta a criatividade
Um estudo publicado no Journal of Consumer Research, em 2013, apontou que ouvir música em volume moderado pode favorecer o pensamento abstrato e criativo.
Pode diminuir o estresse
Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo investigaram a relação entre o hábito de ouvir música e o estresse. Os resultados indicaram associação com emoções positivas e redução de alguns indicadores relacionados ao estresse.
Pode estimular a memória
Pesquisas da Universidade de Hong Kong apontaram diferenças no desempenho de memória entre crianças que aprenderam a tocar instrumentos musicais e aquelas que não tiveram esse aprendizado.
A música, portanto, pode fazer parte da rotina como uma forma de entretenimento, expressão e interação social. Em situações de sofrimento emocional persistente, porém, ouvir música ou praticar atividades musicais não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde.

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