Setembro Amarelo: pesquisa com brasileiros identifica relação entre genética e depressão
Um estudo realizado com mais de 2 mil crianças e jovens brasileiros encontrou uma associação entre genética e depressão
Por Bruna Castelo Branco.
Um estudo realizado com mais de 2 mil crianças e jovens brasileiros encontrou uma associação entre maior risco genético para depressão e uma evolução mais rápida dos sintomas ao longo do desenvolvimento. A pesquisa também identificou relação entre esse risco e maior suscetibilidade à autolesão não suicida entre participantes que já tinham diagnóstico de transtorno depressivo maior.
O trabalho acompanhou 2.163 voluntários com idades entre 6 e 23 anos, moradores de São Paulo e Porto Alegre. Os resultados foram publicados na revista científica Biological Psychiatry.

Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram o chamado escore de risco poligênico, uma ferramenta que reúne informações de diferentes variantes genéticas associadas a determinado transtorno. O método permite estimar uma predisposição genética, mas não é capaz de determinar se uma pessoa terá depressão.
Maior risco genético foi associado à progressão dos sintomas
De acordo com os resultados, os participantes que apresentaram pontuações genéticas mais altas para transtorno depressivo maior também tiveram uma progressão mais acentuada dos sintomas ao longo do desenvolvimento.
Entre os jovens que já haviam sido diagnosticados com depressão, aqueles com maior risco genético apresentaram ainda uma associação com maior suscetibilidade à autolesão não suicida, comportamento caracterizado pela provocação intencional de lesões no próprio corpo sem intenção de causar a morte.
Segundo o pesquisador Lucas Ito, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os resultados podem contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos relacionados aos casos mais graves de depressão.

Estudo analisou população brasileira
A pesquisa também se destaca por ter analisado uma população brasileira, que apresenta elevada diversidade genética.
Grande parte dos estudos sobre escores de risco poligênico é baseada em dados de pessoas com ancestralidade predominantemente europeia. Por isso, os pesquisadores consideram importante avaliar o desempenho dessas ferramentas em populações geneticamente mais diversas.
Os participantes fazem parte da Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais e foram acompanhados em três diferentes fases do desenvolvimento.
Genética não determina depressão
Apesar da associação encontrada, os pesquisadores ressaltam que a genética é apenas um dos fatores envolvidos no desenvolvimento da depressão.
Aspectos ambientais, sociais, familiares e individuais também podem influenciar o surgimento e a evolução dos sintomas. Dessa forma, uma pessoa com escore genético elevado não necessariamente desenvolverá depressão ou terá um quadro mais grave.
A expectativa é que, no futuro, informações genéticas possam ser utilizadas em conjunto com avaliações clínicas e fatores ambientais para ajudar a identificar pessoas que possam precisar de acompanhamento mais próximo.
No entanto, novos estudos ainda são necessários antes que os escores de risco genético possam ser utilizados como ferramentas individuais de previsão clínica.

Onde procurar ajuda
Pessoas que estejam enfrentando sofrimento emocional intenso, sintomas de depressão ou pensamentos suicidas devem procurar ajuda profissional.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. O atendimento também está disponível pela internet.
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