MP-BA investiga homofobia no Filhos de Gandhy no Carnaval de Salvador
Procedimento administrativo acompanha investigação de lesão corporal motivada por homofobia e prevê ações com o Afoxé Filhos de Gandhy para prevenir novos casos
Por Victor Hernandes.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) instaurou um procedimento administrativo para acompanhar a investigação de um caso de homofobia no Filhos de Gandhy registrado durante o Carnaval de Salvador 2026. A medida também prevê a adoção de ações preventivas junto ao Afoxé Filhos de Gandhy para combater práticas homotransfóbicas em futuras edições da festa.

A decisão, obtida pelo AratuON nesta sexta-feira (17), acompanha a apuração de um crime de lesão corporal motivado por preconceito de orientação sexual contra um associado do bloco. Segundo o documento, a violência teria sido praticada por um folião durante o desfile.
O objetivo do procedimento é monitorar a investigação criminal, buscar a responsabilização dos envolvidos e desenvolver estratégias para evitar novos episódios de discriminação contra a população LGBTI+ em eventos festivos.
MP-BA quer prevenir novos casos de homofobia no Filhos de Gandhy
Além de acompanhar o caso específico, o Ministério Público pretende atuar em conjunto com o Afoxé Filhos de Gandhy para implementar medidas de prevenção e enfrentamento à homotransfobia.
Em nota enviada ao site, o bloco informou que não tinha conhecimento do episódio investigado, mas ressaltou que repudia qualquer forma de discriminação.
"Uma das bandeiras que o Gandhy defende é contra a homofobia e a violência contra as mulheres", afirmou a entidade.
Outros casos de violência durante o Carnaval de Salvador
O Carnaval de Salvador também registrou outros episódios de violência neste ano. A Justiça determinou o afastamento temporário de quatro policiais militares investigados por uma ocorrência envolvendo agressões e insultos homofóbicos no circuito Barra-Ondina. Entre as vítimas estavam um soldado da PM de folga, seu marido e um amigo do casal, também policial militar.
Segundo o professor e soldado João Cruz, que denunciou o caso, ele foi agredido com golpes de cassetete e alvo de ofensas homofóbicas durante a abordagem policial. De acordo com a decisão judicial, o afastamento dos policiais tem como objetivo garantir a produção de provas e o andamento do Inquérito Policial Militar (IPM).
Outro caso registrado durante a festa envolveu a prisão em flagrante de um homem de 24 anos, suspeito de agredir e ameaçar a companheira no circuito Dodô (Barra-Ondina). Segundo a Polícia Civil, a vítima apresentava lesões nos braços e relatou ter sido ameaçada pelo companheiro, que também teria se apropriado de seu celular e cartão de crédito sem autorização.

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