Juíza pede autorização para morar em Salvador após apontar riscos em outra cidade da Bahia
Magistrada citou violência urbana, atuação do crime organizado e falta de imóveis adequados ao pedir autorização para residir na capital
Por Victor Hernandes.
Uma juíza ingressou com um pedido administrativo para residir em Salvador, em vez de São Francisco do Conde, no Recôncavo da Bahia, cidade onde está localizada a comarca em que trabalha. A magistrada argumentou que a manutenção da residência no município enfrenta uma série de problemas e obstáculos.

Ela justificou o pedido com base na suposta falta de segurança e na escassez de moradias adequadas na região onde exerce suas funções. Entre as questões apontadas estão “elevados índices de violência urbana”, além de problemas relacionados à atuação do crime organizado na região.
Outro ponto apresentado pela juíza foi a suposta inexistência de imóveis com condições adequadas de habitabilidade, salubridade e segurança para sua residência.
A Corregedoria do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), apesar de a magistrada ter apresentado bom desempenho profissional e argumentado que a distância entre as cidades permite o deslocamento diário, apontou a ausência de provas objetivas sobre os riscos alegados.
Por conta disso, foi determinado um prazo de 15 dias para que ela apresente documentação comprobatória capaz de validar a excepcionalidade do caso. A decisão final sobre a possibilidade de a magistrada residir em Salvador permanece pendente da comprovação das condições de habitabilidade e dos riscos de segurança mencionados no pedido.
Violência na Bahia
O pedido da juíza ocorre em meio ao destaque negativo da Bahia no ranking das cidades mais violentas do Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cinco municípios baianos aparecem entre os dez mais violentos do país.
O estudo também aponta que a Bahia continua com o maior número absoluto de mortes violentas intencionais do Brasil. Eunápolis, no extremo sul da Bahia, ocupa a segunda colocação no levantamento, atrás apenas de Maranguape, no Ceará. Também aparecem entre as dez cidades mais violentas do país os municípios baianos de Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro.
O levantamento considera a taxa de mortes violentas intencionais para cada 100 mil habitantes. Além da presença de cinco municípios no ranking, a Bahia segue entre os estados com os maiores índices desse tipo de crime. Segundo o anuário, sete das dez unidades da federação com as piores taxas de crimes violentos estão na região Nordeste.Na edição anterior do estudo, divulgada em 2024, a Bahia também tinha cinco representantes entre as cidades mais violentas do país: Jequié, Feira de Santana, Juazeiro, Simões Filho e Camaçari. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário é influenciado, principalmente, pelas disputas entre organizações criminosas pelo controle do tráfico de drogas. Apesar da posição no ranking, o estado registrou redução de 9,5% nas mortes violentas intencionais, passando de 6.047 casos em 2024 para 5.473 em 2025.

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