Delegada é afastada após ser alvo de operação que prendeu donos de construtora em Salvador
Delegada da Polícia Civil é afastada após mandado de busca por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro
A delegada da Polícia Civil da Bahia, Ilma Leonor Magarão, foi afastada por 90 dias após ser alvo de busca e apreensão em uma investigação de corrupção e lavagem de dinheiro. A mesma operação prendeu três empresários ligados à Pejota Construções, em Salvador, na última segunda-feira (31). A informação foi confirmada a reportagem do Alô Juca.

A ação contra a delegada foi realizada pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DARCO). A operação também cumpriu, na quarta-feira (2), um mandado de busca e apreensão na residência do ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder).
A investigação seria um desdobramento de apurações relacionadas a possíveis irregularidades em obras públicas realizadas na Bahia. Os casos investigados teriam ocorrido há pelo menos dois anos e envolveriam a construção de equipamentos destinados à segurança pública no estado.
Até o momento, não foram divulgadas informações que apontem qual seria a participação da delegada na investigação ou eventual relação dela com os empresários presos. O Aratu On entrou em contato com a Polícia Civil para obter mais informações sobre o caso, mas, até o momento, não recebeu retorno.
Ex-presidente da Conder
O ex-presidente da Conder, Sérgio de Oliveira Silva, estaria sendo investigado em uma apuração sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras no estado e relacionadas à Pejota Construções e Terraplanagem, conhecida pela atuação em obras de infraestrutura públicas e privadas.
Segundo informações obtidas pelo Aratu On na noite desta quarta-feira, parte das supostas irregularidades teria começado quando Sérgio esteve supostamente responsável por coordenar a montagem de cerca de 200 a 300 delegacias espalhadas pelo estado.

Conforme apuração da reportagem, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) não teria um corpo técnico próprio para atender à demanda na época, e as obras teriam ficado sob a coordenação de Sérgio.
O ex-gestor teria aproveitado a estrutura destinada à construção das unidades da SSP-BA para incluir servidores que já haviam passado pela Conder e que também teriam ficado responsáveis pelo acompanhamento dos equipamentos.
Servidora investigada
Poliana Dias Santos, uma das servidoras que atuavam no programa de construção de delegacias da SSP-BA, já havia sido presa e estaria sendo monitorada por tornozeleira eletrônica há cerca de dois anos, em razão do mesmo caso de irregularidades. As informações foram obtidas pelo Aratu On com interlocutores.
Poliana teria atuado à frente das obras e dos projetos das delegacias vinculadas à SSP-BA e também foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira, assim como o ex-presidente da Conder, Sérgio de Oliveira Silva.
A investigação também envolveria um policial civil. Segundo informações obtidas pela reportagem, o agente teria confessado participação no esquema e relatado que recebia pagamentos para obstruir as apurações do caso.
Entenda as investigações
O ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), Sérgio de Oliveira Silva, foi alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quarta-feira (2). A medida faz parte dos desdobramentos da investigação da Polícia Civil que resultou na prisão de três empresários ligados à Pejota Construções e Terraplanagem Ltda., em Salvador.
A apuração investiga suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a construtora, conhecida pela atuação em obras de infraestrutura públicas e privadas. Entre os alvos da investigação estão os engenheiros Pedro de Araújo Filho e os dois filhos, Pedro de Araújo Júnior e Rodrigo Araújo.
O caso passou a ter novos desdobramentos com a inclusão de Sérgio entre os alvos da investigação e com as medidas cumpridas contra a servidora que teria atuado no programa de construção de delegacias da SSP-BA.
A apuração busca esclarecer a eventual participação de agentes públicos e particulares em possíveis irregularidades relacionadas às obras, além de identificar a existência de pagamentos ou outras vantagens indevidas e eventual tentativa de interferência nas investigações.

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