Basília Rodrigues analisa sabatinas na TV Aratu e aponta força da Bahia na eleição para presidente
Ao Aratu On, Basília Rodrigues ressalta força da Bahia na eleição e avalia comportamento dos candidatos ao Governo nas sabatinas da TV Aratu
Por João Tramm.
A participação nas sabatinas com os candidatos ao Governo da Bahia na TV Aratu permitiu à jornalista e analista de política do SBT News Basília Rodrigues observar de perto os discursos dos postulantes ao Palácio de Ondina. Em entrevista ao Aratu On após os três dias de participação nas sabatinas, Basília avaliou o cenário eleitoral do estado e a força da Bahia na eleição para presidente.
Para a jornalista, diante da força local de Luiz Inácio Lula da Silva, há uma espécie de “eleitorado híbrido” no estado. Ainda na entrevista, ela destacou que o fenômeno também aparece nas estratégias dos próprios candidatos.
Basília participou da segunda rodada com os três candidatos ao governo do estado: Ronaldo Mansur (PSOL), Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (União).
Basília Rodrigues analisa sabatinas na TV Aratu
Na avaliação de Basília, os principais candidatos ao Governo da Bahia se apresentam como representantes de polos diferentes na disputa estadual, mas adotam uma postura semelhante quando o assunto é a eleição para presidente da República.
Segundo a jornalista, tanto candidatos ligados à direita quanto o candidato governista demonstram disposição para dialogar com o eleitorado que pretende votar em Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência.
“Tem candidatos principais que se entendem como os polos da direita e da esquerda, no sentido das ideias aqui para o estado, mas uma certa unicidade enquanto à escolha para a Presidência da República. Tanto os candidatos da direita quanto o candidato da esquerda para o governo aqui da Bahia fazem discursos favoráveis ou, pelo menos, neutros em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
Para Basília, esse comportamento mostra que a dinâmica do eleitor baiano não necessariamente acompanha uma divisão rígida entre direita e esquerda. A possibilidade de combinar candidatos de diferentes grupos aparece, como o movimento Lula-Neto, como estratégia diante da força do petista no estado.
“Então, é uma visão híbrida do eleitorado e os candidatos já aderiram a esse fenômeno também nas suas falas. Então ACM Neto não bate para não prejudicar uma possível composição lá na frente. E o Jerônimo, ciente disso, bate no peito e diz que todo mundo diferente dele é anti-Lula.”
O perfil do eleitor baiano, segundo Basília Rodrigues
A análise feita durante a passagem por Salvador também levou Basília a destacar uma característica que considera particular do eleitor baiano: o interesse pela política e a disposição para cobrar os gestores públicos.
Segundo ela, a percepção foi construída não apenas a partir dos eventos eleitorais ou das sabatinas, mas também das conversas e observações feitas durante os dias em Salvador.
“Quando essas pessoas são perguntadas sobre os principais candidatos, elas têm opinião e críticas também. Então as pessoas falam de segurança pública, de saúde, de educação e também de mobilidade.”
Para a jornalista, essa característica ajuda a explicar por que o eleitor baiano consegue fazer combinações entre diferentes grupos políticos sem necessariamente enxergar uma contradição nessa escolha.
“As pessoas aqui esquecem do ringue político, de ‘vamos acabar com o outro lado’, e pensam nas suas vidas, no dia a dia, aqui na Bahia é possível você ver o que décadas de governos petistas trouxeram para o Brasil e para a Bahia, o que governos de direita trouxeram para o Brasil e para a Bahia”, acrescentou.
Basília citou São Paulo como outro estado em que uma combinação semelhante pode aparecer nas urnas, com eleitores escolhendo candidatos de diferentes espectros políticos para cargos distintos. No caso paulista, o voto para Tarcísio de Freitas (Republicanos) no governo e para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência também é uma questão latente na dinâmica eleitoral.
Para Basília Rodrigues, a Bahia terá peso decisivo em 2026
A jornalista também chamou atenção para o papel da Bahia na disputa presidencial de 2026. O estado está entre os maiores colégios eleitorais do país e, na avaliação dela, continuará sendo estratégico para a definição do próximo presidente. Em 2022, o estado deu mais de 6 milhões de votos para Lula.
Além da Bahia, Basília apontou outros estados que podem ter papel relevante na disputa, como Alagoas, Pará, Amapá, Amazonas, Minas Gerais e Paraná. Para ela, o comportamento do eleitorado também será importante diante de um cenário de crescente frustração com a política.
“A gente está diante de uma eleição em que cada vez mais as pessoas se sentem frustradas com a política. Será que elas vão sair de casa no primeiro domingo de outubro para ir votar? Essa é uma questão”, pontuou.

Terceira via aparece inviável nestas eleições, analisa Basília Rodrigues
Embora reconheça a existência de um número expressivo de eleitores indecisos ou insatisfeitos com a polarização, Basília avalia que ainda não há uma candidatura alternativa com força suficiente para romper a disputa entre os principais polos.
“Existe hoje no Brasil um número muito significativo de eleitores indecisos. São aquelas pessoas que não têm ainda um candidato porque não se veem reconhecidas nesses candidatos que estão aí, porque estão cansadas da política também ou porque estão esperando avançar as coisas, tanto no mundo da política quanto na Justiça, para decidir seu voto”, explicou.
Para ela, o principal obstáculo está justamente na consolidação dos dois polos que dominam a disputa. Na percepção da colunista de política, esses dois campos vivem e trabalham para manter a polarização.
“Você hoje nem consegue ter certeza de quem vai ganhar as eleições, porque os polos estão muito empatados, e uma possibilidade de terceira via ainda está lá atrás, no fim da fila. Além disso, não adianta a alternativa apenas existir. tem que ser viável, ou seja, estar no páreo para ganhar. E hoje não há essa sensação entre os candidatos de possível terceira via”, opinou.
Basília Rodrigues avalia se Caso Master pode levar a impeachment de ministros do STF
A entrevista também abordou o cenário nacional e as recentes controvérsias envolvendo o Banco Master, além da crise envolvendo os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e as conversas que vieram a público.
“Hoje o cenário em Brasília é de guerra declarada entre o ministro André Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes. Na segunda-feira, a gente trouxe essa apuração, Moraes procurou Mendonça para uma conversa, de acordo com interlocutores. Eles descreveram este encontro como um bate-boca, uma reunião tensa, firme, em que eles brigaram mesmo”, contou
O episódio teria eclodido a partir da informação de que Alexandre de Moraes estaria sendo investigado. Para a jornalista, a tendência é que as instituições tentem construir uma resposta para reduzir os efeitos da crise, mas isso não significa necessariamente que as reivindicações de setores da oposição, como um eventual impeachment, serão atendidas.
“O fato é que hoje eles estão tentando arrumar a casa para dar uma resposta à população. Novidades haverá. Talvez não exatamente o que setores da oposição estão cobrando, como um impeachment de um ministro da Suprema Corte”, rechaçou
Apesar da pressão, Basília avalia que dificilmente haverá uma mobilização dos próprios ministros do STF pela retirada de um dos integrantes da Corte.
“É difícil você imaginar um ministro pedindo o impeachment do outro, ou cooperando para isso. Então, cientes disso, dificilmente uma maioria no Supremo Tribunal Federal sairia em defesa de impeachment de qualquer um dos seus pares”, analisou.
Basília avaliou que o episódio ultrapassa a disputa individual entre ministros porque envolve a imagem e a estabilidade do Supremo Tribunal Federal. Para ela, a crise deixa uma marca importante na Corte, especialmente por envolver Alexandre de Moraes, que deverá assumir a Presidência do STF.
Basília Rodrigues: Duas décadas de jornalismo político
Com duas décadas de jornalismo, Basília também fez uma avaliação sobre o legado de grandes investigações que marcaram a política brasileira, como a Lava Jato, e comparou o momento atual com novos escândalos que voltam a colocar instituições sob suspeita.
Para ela, o excesso de desconfiança pode atingir não apenas indivíduos, mas a credibilidade das próprias instituições. Segundo ela, parte das grandes investigações acaba comprometida tanto pelo enfrentamento com estruturas de poder quanto por problemas relacionados à própria condução dos processos.
“Todas as instituições e seus integrantes estão sob suspeita. Isso obviamente prejudica todos os lados políticos, prejudica o país, prejudica a República, porque esse clima de desconfiança sobre as instituições perpassa a questão da pessoa, do indivíduo que está dentro da instituição. Porque ele está decidindo em nome da instituição", concluiu.
Basília Rodrigues no SBT News
Basília Rodrigues é jornalista de política, com 20 anos de atuação na área e já recebeu grandes prêmios da área como o Troféu Imprensa Mulher. A brasiliense é apresentadora do SBT News e foi convidada para questionar os candidatos ao governo da Bahia.
O SBT News estreou em dezembro e agora se consolida como uma operação multiplataforma, com programação jornalística ininterrupta — 24 horas por dia, sete dias por semana. O canal estará disponível nas principais operadoras de TV por assinatura, no YouTube e em canais FAST de fabricantes de televisores.

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