Denúncia sobre atendimento a adolescente gera investigação em hospital particular de Salvador
Inquérito do MP-BA apura superlotação, demora para exames e problemas na estrutura do Hospital Prohope, em Cajazeiras VIII; unidade já havia firmado acordo com o órgão em 2014
Por Victor Hernandes.
Uma denúncia envolvendo o atendimento a um adolescente de 16 anos levou o Ministério Público da Bahia (MP-BA) a abrir uma investigação sobre as condições de funcionamento do Hospital Prohope, localizado no bairro de Cajazeiras VIII, em Salvador.

O inquérito civil foi instaurado pela Promotoria de Justiça do Consumidor da capital após uma manifestação registrada no Disque 100 relatar que o adolescente precisou aguardar a realização de exames sem previsão de horário. Segundo a denúncia, a unidade estava superlotada e não havia assentos suficientes para acomodar os pacientes na recepção.
A investigação também reúne informações de fiscalizações realizadas pelo Procon-BA, pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e pelo Corpo de Bombeiros Militar.
Fiscalização apontou problemas no hospital
Durante uma vistoria, agentes do Procon-BA registraram reclamações sobre o tempo excessivo de espera e encontraram sinalização interna do próprio hospital informando que o serviço estava em situação de “superlotação”.
A apuração também identificou que a unidade funcionava com o alvará de funcionamento vencido e não oferecia condições adequadas de acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência.
O inquérito busca esclarecer as circunstâncias relatadas e verificar se o estabelecimento atende às exigências necessárias para garantir a segurança e os direitos dos pacientes.
Hospital já havia firmado acordo com o Ministério Público
O caso também chama a atenção pelo histórico de cobranças envolvendo a estrutura da unidade. Em 2014, o Hospital Prohope firmou um acordo com o Ministério Público para corrigir problemas relacionados à oferta de leitos e à infraestrutura.
Segundo as informações reunidas na investigação, o descumprimento das obrigações assumidas motivou a retomada das cobranças por adequações. A instituição também se encontra em processo de recuperação judicial.
A apuração busca verificar as condições atuais do hospital e as medidas necessárias para proteger a saúde, a segurança e a dignidade dos usuários.
Outras investigações envolvem serviços de saúde em Salvador
Além do Hospital Prohope, outros estabelecimentos da capital baiana são alvo de apurações relacionadas à prestação de serviços de saúde e estética. Uma delas envolve a clínica Slim Code, localizada no Shopping Pituba Parque Center, na Pituba. A 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor investiga suspeitas de exercício ilegal de profissões, propaganda enganosa e descumprimento de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O procedimento também apura suspeitas de exercício ilegal das profissões de fisioterapeuta, enfermeiro e terapeuta. A investigação busca esclarecer se procedimentos estéticos eram realizados por pessoas sem a formação ou a habilitação exigida e se os tratamentos oferecidos respeitavam as normas sanitárias.
Outra apuração envolve a Villa Saúde e Bem-Estar Ltda., por suspeitas de comercialização e manipulação irregular de produtos injetáveis usados em procedimentos estéticos e tratamentos para emagrecimento.
Conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça do Consumidor, a investigação busca verificar a procedência das substâncias oferecidas aos clientes, as condições de armazenamento e a eventual prática de fracionamento dos produtos. Conforme as informações divulgadas sobre o caso, o procedimento está em fase preparatória, voltada à reunião de documentos e provas.
A Polícia Civil da Bahia também investigou possíveis irregularidades em atendimentos de saúde e terapêuticos destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), durante a Operação Neurodignos.
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços nos bairros de Itaigara, Horto Florestal, Amaralina e Ondina. Algumas clínicas da Hapvida foram alvo da operação. Entre os problemas apontados durante as fiscalizações estavam a ausência de responsável técnico de Terapia Ocupacional e a realização de atendimentos com vários pacientes no mesmo espaço físico, sob acompanhamento de terapeutas ocupacionais.

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