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Operação da Polícia Civil mira Hapvida em Salvador; saiba o que é investigado

Ação apura possíveis irregularidades em atendimentos de saúde e terapêuticos destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA)

Por Victor Hernandes.

Uma operação da Polícia Civil da Bahia mira clínicas da Hapvida em Salvador nesta segunda-feira (18). A Operação Neurodignos investiga possíveis irregularidades em atendimentos de saúde e terapêuticos destinados a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Clínica Da Hapvida Em Salvador Foi Alvo Da Operação Neurodignos, Que Investiga Possíveis Irregularidades No Atendimento a Crianças Com Tea

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços nos bairros de Itaigara, Horto Florestal, Amaralina e Ondina, considerados áreas nobres da capital baiana. Algumas clínicas da empresa foram alvo da ação.

Entre as possíveis irregularidades identificadas durante as fiscalizações estão a ausência de Responsável Técnico de Terapia Ocupacional e a realização de atendimentos por até três terapeutas ocupacionais, cada um acompanhado de dois ou três pacientes no mesmo espaço físico.

Segundo as autoridades envolvidas na fiscalização, essas práticas podem indicar falta de autonomia dos terapeutas ocupacionais para definir, de forma técnica e individualizada, os procedimentos mais adequados às necessidades de cada paciente.

A operação é realizada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil, em conjunto com o Conselho Regional de Psicologia da 3ª Região (CRP-03), o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA) e o CREFITO-7.

Com o material apreendido durante as buscas, os investigadores deverão analisar documentos e dispositivos eletrônicos para obter novas informações sobre o funcionamento dos serviços e as condutas investigadas.

Operação Neurodignos investiga Hapvida 

A investigação busca esclarecer se os atendimentos oferecidos às crianças com TEA estão sendo realizados de acordo com as normas técnicas e profissionais exigidas para esse tipo de tratamento.

Um dos pontos identificados durante as fiscalizações foi a realização de atendimentos simultâneos em um mesmo ambiente, com mais de um profissional e vários pacientes.

A ausência de um responsável técnico em Terapia Ocupacional também foi apontada pelas equipes que participaram da ação.

As informações e documentos apreendidos deverão passar por análise para verificar a existência de outras possíveis irregularidades.

Outras investigações na área da saúde

A Operação Neurodignos ocorre em meio a outras investigações envolvendo profissionais e serviços da área da saúde na Bahia. Uma médica que atuava em Luís Eduardo Magalhães, no oeste do estado, foi presa na última quarta-feira (12) durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de falsificação e comercialização de diplomas e documentos acadêmicos.

Aline Candice Carlos Magalhães, natural de São Paulo, foi alvo da Operação Canudo, deflagrada na Bahia e em Minas Gerais. A prisão preventiva da médica foi mantida pela Justiça Federal durante audiência de custódia. Como não há presídio feminino na região, ela foi encaminhada para o Complexo Policial de Barreiras, município vizinho a Luís Eduardo Magalhães.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado produzia e comercializava diplomas e outros documentos acadêmicos falsos. O material seria utilizado para facilitar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão nos municípios baianos de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras, além de Montes Claros e Bocaiuva, no norte de Minas Gerais.

As investigações começaram em 2023, depois que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) identificou um diploma falso apresentado para obtenção de registro profissional e comunicou o caso à Polícia Federal.

Na ocasião, uma mulher de 33 anos que exercia a medicina em Cacique Doble, no Rio Grande do Sul, apresentou um suposto diploma de Medicina do Centro Universitário Funorte, em Montes Claros (MG). A fraude foi descoberta durante a análise da documentação.

A Polícia Federal informou que as investigações continuam para esclarecer a atuação do grupo, identificar outros possíveis envolvidos e levantar informações sobre pessoas que teriam adquirido ou utilizado os documentos falsificados.

Um homem de 42 anos, identificado como Flávio dos Santos Fraga, é considerado foragido da Justiça por aplicar golpes utilizando a identidade de um médico de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. Morador de Salvador, ele usava os dados do profissional de saúde para aplicar golpes na compra de medicamentos e equipamentos médicos junto a empresas de diferentes estados do país.

De acordo com a Polícia Civil, o suspeito também recorria a imagens produzidas por inteligência artificial para dar aparência de legitimidade às fraudes e enganar as vítimas. Equipes cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do investigado, durante a Operação DeepFake. No imóvel, um aparelho celular foi apreendido e será submetido à perícia para auxiliar nas investigações.

Falso médico é considerado foragido por aplicar golpes com IA na Bahia. Foto: Reprodução

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