"Não é falta de ação": ministro defende o Desenrola e rebate críticas sobre endividamento
Juros altos e cenário internacional, ministro defende Desenrola em entrevista ao Aratu On
Por João Tramm.
Em meio ao endividamento dos brasileiros, em especial do empresários,ministro defende o programa Desenrola e as medidas do governo para enfrentar a situação. A fala foi feita em entrevista ao Aratu On, nesta quinta-feira (27), pelo ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira.
O chefe citou o Desenrola como uma das principais iniciativas para permitir que empreendedores reorganizem as contas e voltem a investir. Segundo o ministro, a criatividade é a chave para vencer as dificuldades financeiras, ainda mais em um cenário que 3 milhões de Microempreendedores estão endividados.

Ministro defende Desenrola diante da alta do juros
Na avaliação do ministro, a dificuldade para superar o endividamento dos pequenos negócios não está relacionada apenas à falta de renegociação. A manutenção de juros elevados também compromete a capacidade de investimento das empresas.
“Os juros muito altos, num período prolongado, asfixiam o empreendedor, asfixiam os negócios. As pessoas não conseguem ter o capital para investir, para fazer um capital de giro”, afirmou.
Pereira também mencionou práticas de crédito que podem levar consumidores a assumir dívidas sem compreender completamente as condições dos contratos. Entre os exemplos, citou empréstimos consignados com juros elevados.
Outro fator apontado pelo ministro foi o impacto das apostas esportivas sobre a renda das famílias.
“Tem a ver com a dificuldade muito grande que a gente está enfrentando com as bets também, que estão secando a renda do nosso povo”, declarou.
Pereira afirmou ainda que a nova rodada de renegociação está chegando ao fim e fez um alerta aos empreendedores que ainda possuem dívidas: "O empreendedor que está vendo essa entrevista em agosto, se ainda está endividado, corre no banco para fazer o Desenrola”, disse.
Primeiro Desenrola
Ao falar sobre o endividamento dos pequenos negócios, Pereira afirmou que o governo criou uma linha específica em que atua como garantidor da operação. A proposta é permitir que o empreendedor substitua uma dívida com juros elevados por outra com condições mais favoráveis.
“Lá no começo do governo, o presidente Lula, já muito preocupado com o endividamento, lançou o primeiro Desenrola. Desde o primeiro Desenrola para as pequenas empresas, o governo dá uma linha em que o governo é um fiador do empreendedor, então os juros são baixos para que ele possa sair do endividamento caro para ir para o endividamento mais barato”, explicou.
O ministro também destacou o resultado da primeira edição do programa, que, segundo ele, teve impacto significativo na renegociação de dívidas. O Desenrola voltado aos pequenos negócios já renegociou cerca de R$ 7,5 bilhões em dívidas de aproximadamente 120 mil empresas, segundo dados divulgados pelo governo.
Pereira afirmou que a estratégia do governo é criar condições para que empresas e trabalhadores tenham acesso a crédito com custos menores e consigam reorganizar as finanças.
“O nosso trabalho é girar renda, desenvolver economia, baixar os juros para que esse problema possa ser superado”, afirmou.
Lembrando que a contribuição mensal do Microempreendedor Individual (MEI) passou neste ano de R$ 75,90 para R$ 81,05. O reajuste ocorre porque o valor é calculado com base no salário mínimo, que foi atualizado para R$ 1.621. A contribuição corresponde a 5% do novo piso nacional.

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