Jogadores do Vitória são punidos após confusão no BA-VI; Bahia também é multado
O episódio aconteceu após um gol e terminou na Justiça Desportiva; entenda a decisão
Por Liven Paula.
Os jogadores do Vitória, Cacá e Marinho, foram punidos pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD) após a confusão registrada no BA-VI válido pela 24ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

Cacá recebeu dois jogos de suspensão, enquanto Marinho teve uma partida convertida em advertência. Jean Lucas, do Bahia, foi absolvido. O Bahia também foi multado em R$ 2 mil por atraso no retorno ao campo.
O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (27), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Rondônia. A decisão foi tomada em primeira instância e ainda pode ser contestada pelas partes.
Entenda a confusão que levou à punição dos jogadores do Vitória
O episódio aconteceu durante a comemoração do segundo gol do Bahia no clássico. Jean Lucas tirou a camisa e a levou em direção ao setor destinado aos torcedores do Vitória.
Na sequência, Marinho puxou a camisa das mãos do jogador do Bahia. Cacá também tentou rasgar a peça, mas foi contido pelo árbitro Raphael Claus.
Jean Lucas foi denunciado com base no artigo 258-D do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), enquanto Marinho e Cacá responderam pelo artigo 258, que trata de condutas consideradas antidesportivas.
Durante o julgamento, o procurador Roberto Maldonado afirmou que a comemoração de Jean Lucas ocorreu em um cenário de forte rivalidade e poderia provocar uma reação dos adversários.
A defesa do jogador do Bahia, feita pelo advogado Milton Jordão, sustentou que a comemoração não teve caráter ofensivo. Segundo ele, Jean Lucas apenas repetiu um gesto conhecido no futebol e não desrespeitou o Vitória ou seus símbolos.
O advogado também argumentou que o atleta já havia recebido a punição prevista na regra do jogo por ter retirado a camisa durante a comemoração.
Na defesa dos atletas do Vitória, o advogado Matheus Saleão afirmou que a reação de Marinho e Cacá foi imediata e não houve planejamento para provocar tumulto. Ele também destacou que a camisa permaneceu intacta e que a partida seguiu normalmente após a intervenção da arbitragem.
O relator do processo, auditor Pedro Henrique Perdiz, votou pela absolvição de Jean Lucas. Para ele, a comemoração não ultrapassou os limites necessários para caracterizar uma infração disciplinar.
Em relação aos jogadores do Vitória, o relator considerou que Marinho e Cacá praticaram conduta antidesportiva. Para Cacá, a pena foi de dois jogos de suspensão, levando em conta a tentativa de rasgar a camisa e a reincidência.
Já Marinho recebeu inicialmente a proposta de uma partida de suspensão. Houve, porém, divergência no julgamento para converter a punição em advertência. O entendimento foi acompanhado pela auditora Juliana Camões e pelo presidente Caio Barros.
Com isso, Cacá terá de cumprir dois jogos de suspensão, enquanto Marinho recebeu advertência. Jean Lucas foi absolvido por unanimidade.
Bahia também é multado pelo STJD
O Bahia também foi julgado no mesmo processo. O clube foi denunciado por atrasar o retorno ao campo após o intervalo.

Segundo o processo, houve quatro minutos de atraso para o reingresso dos jogadores e outros dois minutos de demora para o início do segundo tempo.
Por unanimidade, o Bahia recebeu multa de R$ 2 mil. Assim como as demais decisões do julgamento, a punição foi aplicada em primeira instância e ainda pode ser alvo de recurso.
Bahia e Os Imbatíveis se pronunciam após morte de torcedores em Salvador
O Bahia se pronunciou após a morte de torcedores do clube em diferentes episódios de violência registrados em Salvador antes do BAxVI deste domingo (23). José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, conhecido como Nakombi, e Lucas dos Reis Bonfim, o LS, foram vítimas dos ataques. Os dois eram ligados a torcidas organizadas do Bahia.

Em nota, o Esporte Clube Bahia lamentou profundamente as mortes e repudiou os episódios de violência registrados antes do clássico. O clube afirmou que a rivalidade entre os times não pode ser usada como justificativa para crimes.“Não há rivalidade que justifique. É inadmissível, é revoltante e é insustentável”, declarou o Bahia.
O clube também pediu uma investigação aprofundada das autoridades e a punição rigorosa dos responsáveis. Na manifestação, o Bahia defendeu que o futebol seja um espaço de integração, lazer e inclusão, e não de violência.
Torcida organizada do Vitória se pronuncia após morte de torcedores
A torcida organizada do Vitória, Os Imbatíveis, também se manifestou sobre uma das mortes ocorridas antes do clássico. A entidade lamentou a perda e afirmou que “quando um integrante de uma torcida organizada morre, todo o grupo é atingido”.
Segundo os Imbatíveis, na quinta-feira (20), foram repassadas ao Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (Bepe) informações sobre os pontos de concentração nos bairros, além dos horários e itinerários dos comandos. A medida, conforme a nota, teve o objetivo de colaborar com a segurança e evitar possíveis confrontos.
A torcida prestou solidariedade aos familiares e amigos da vítima e defendeu a apuração dos fatos pelas autoridades. Também afirmou que o futebol deve permanecer como espaço de “paixão, festa e rivalidade”, mas sem que vidas sejam perdidas.
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