Mercado saturado? Ministro revela alternativa para microempreendedores na Bahia
Ao Aratu On, Ministro do Empreendedorismo defende transformar criatividade em geração de renda para MEIs na Bahia
Por João Tramm.
A Bahia tem mais de 857 mil microempreendedores individuais (MEIs). Diante do grande número de pequenos negócios, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, aponta a economia criativa como diferencial para geração de renda no estado.
Em entrevista ao Aratu On, durante agenda em Salvador nesta quinta-feira (27), Pereira afirmou que o potencial de setores ligados à cultura, ao artesanato e à criatividade depende também de condições para que os empreendedores consigam desenvolver e ampliar seus negócios.
Segundo Pereira, o desafio da área é que muitos empreendedores têm capacidade para produzir e criar, mas encontram dificuldades para acessar crédito, qualificação e mercados consumidores.
“Às vezes não tem a melhor oportunidade de crédito, às vezes não tem a melhor estrutura, às vezes não tem a melhor formação para poder vender mais, estar mais perto dos centros consumidores, poder exportar mais”, disse.
A criatividade é apontada como chave para vencer as dificuldades financeiras, ainda mais em um cenário que 3 milhões de Microempreendedores estão endividados.

Criatividade como diferencial para os MEIs na Bahia
Para o ministro, a economia criativa pode ajudar pequenos negócios a transformar referências culturais e conhecimentos locais em produtos com maior valor agregado.
Durante a agenda em Salvador, Pereira participou de uma roda de conversa com cerca de 50 microempreendedores qualificados pelo projeto Bahia Criativa, na Fábrica Cultural, na Ribeira. A proposta foi também ouvir os participantes sobre as políticas voltadas ao setor e identificar pontos que podem ser aprimorados.
Artesanato alia negócio e identidade cultural
Um dos exemplos nesta área é da empreendedora Luciana Costa, proprietária da Negralu Acessórios. A marca utiliza tecidos africanos para produzir acessórios e tem como proposta trabalhar conceitos de ancestralidade e pertencimento.
Luciana contou que começou a empreender há cerca de dez anos, quando precisava encontrar uma nova fonte de renda. A partir da própria criatividade e do trabalho com tecidos africanos, passou a desenvolver os produtos.
“Eu comecei a pensar o que é que eu sou boa, o que é que eu faço de bom. Atrelei a minha criatividade ao tecido africano”, relatou.
Segundo a empreendedora, a passagem pela Fábrica Cultural também contribuiu para a formação e o crescimento do negócio, com acesso a cursos e incentivos financeiros.
“Empreender não é fácil. É uma questão de solitude, sobretudo para nós mulheres que temos dupla, tripla jornada”, afirmou.
Bahia tem 857,6 mil MEIs
Além dos 857,6 mil MEIs, a Bahia registrou a abertura de 149 mil empresas em 2026. Em Salvador, o tempo médio de formalização é de 19 horas.
O volume de crédito também movimenta o segmento. Desde 2023, o Pronampe injetou R$ 6,83 bilhões na economia baiana, sendo R$ 1,5 bilhão em Salvador. Já o ProCred 360 movimentou R$ 197,14 milhões no estado em 2026.
A Bahia possui ainda 2,18 milhões de empregos formais, dos quais 678,7 mil estão concentrados em Salvador.
Lembrando que a contribuição mensal do Microempreendedor Individual (MEI) passou neste ano de R$ 75,90 para R$ 81,05. O reajuste ocorre porque o valor é calculado com base no salário mínimo, que foi atualizado para R$ 1.621. A contribuição corresponde a 5% do novo piso nacional.

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