Força sem organização: o paradoxo da classe produtiva brasileira
Na reflexão desta semana, o articulista Paulo Cavalcanti, recém-eleito presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), provoca um incômodo necessário: a classe produtiva brasileira é numerosa, relevante e sustenta o Estado, mas continua distante dos espaços onde as decisões são tomadas.
Sem recorrer a ideologias, ele direciona o olhar para um ponto central: organização. Enquanto outros grupos compreenderam, há décadas, o valor da união, da estratégia e da atuação coordenada, empresários, profissionais liberais e produtores ainda operam de forma fragmentada.
A contradição é evidente. De um lado, uma classe que gera riqueza, paga impostos e mantém empregos. Do outro, a ausência de alinhamento, de atuação conjunta e de presença estruturada nos espaços de poder. Para Cavalcanti, o problema não está na quantidade, mas na incapacidade de agir como um corpo organizado.
O resultado é previsível. Grupos menores, porém mais articulados, ocupam posições estratégicas e influenciam decisões que impactam diretamente quem sustenta a economia real. Nesse cenário, a classe produtiva financia o sistema, mas não define seus rumos.
Mesmo com confederações, federações, associações e sindicatos, a falta de articulação efetiva, especialmente no Congresso Nacional, evidencia um vazio de influência proporcional à sua força.
A análise é direta: poder não fica vazio. Quem se organiza ocupa. Quem não se organiza assiste e, muitas vezes, paga a conta.
Ao final, Cavalcanti aponta o que considera o verdadeiro desafio: não falta força à classe produtiva, falta consciência dessa força. E deixa a provocação que atravessa toda a reflexão: isso é da nossa conta ou vamos continuar assistindo?
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