Mulher é presa após chamar segurança de 'macaco' em boate do Rio Vermelho
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), no Engenho Velho de Brotas
Por Victor Souza.
Uma mulher foi presa, na madrugada deste domingo (26), por racismo no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. O crime foi registrado na casa de eventos “A Borracharia”. A mulher teria chamado um segurança do local de “macaco”.

A Polícia Militar revelou à reportagem que recebeu uma denúncia para averiguar um caso de racismo e injúria racial no interior do estabelecimento localizado na Rua Conselheiro Pedro Luiz. A PM disse ao Aratu ON, que a mulher foi encaminhada para uma unidade policial. Ela foi autuada em flagrante pelo crime de injúria racial e deve passar por audiência de custódia.
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), no Engenho Velho de Brotas, onde todos os envolvidos no episódio foram escutados.
Racismo no Rio Vermelho
Em menos de uma semana, este é o segundo caso de racismo no bairro. Na última terça-feira (21). Uma idosa de 74 anos foi presa em flagrante suspeita de cometer injúria racial contra um policial militar, segundo o major Danilo Mascarenhas. O episódio ocorreu no Largo de Santana, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.
De acordo com o major, a ocorrência teve início após a mulher abordar um policial militar negro e questionar o uso de armas de grosso calibre nas ruas. Durante a interação, ao discordar das justificativas técnicas apresentadas pelo agente, a mulher teria atribuído a suposta falta de entendimento à cor da pele do policial.
"Ela disse que a divergência entre a explicação dele e o não entendimento dela era por conta da cor da pele", relatou o major Mascarenhas.
Ainda segundo o oficial, o policial chegou a alertar a suspeita de que ela poderia ser presa caso continuasse com as ofensas. Mesmo assim, a mulher teria insistido nas declarações. Ela foi detida no local e encaminhada à Central de Flagrantes. Durante o trajeto, também foi autuada por desacato à autoridade. A idosa passou por audiência de custódia na quarta-feira (22).
No entanto, a mulher foi solta na última quinta-feira(23). Na quarta-feira (22), durante audiência de custódia, a Justiça da Bahia havia convertido a prisão em flagrante da idosa Maria Cândida Villela Cruz, de 74 anos, em preventiva. Na ocasião, o juiz considerou a medida válida e apontou a existência de fundamentos legais para a manutenção da detenção.
Ela foi transferida da Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati) para o Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador, após passar pela audiência de custódia.
Já na tarde desta quinta-feira (23), a Justiça concedeu habeas corpus e, durante a noite, ela deixou a prisão. Mais informações não foram divulgadas.

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