Idosa de Brasília é presa por racismo em praia de Salvador
A mulher informou que foi acusada por um homem após afirmar que no Distrito Federal só teria pessoas brancas
Por Victor Souza.
A Polícia Militar prendeu uma idosa de 74 anos por um ato racista, na tarde desta terça-feira (21), em Salvador. A mulher, que relatou ser de Brasília, estaria na Orla entre os bairros do Rio Vermelho e Ondina, quando o episódio foi registrado.

Ao chegar na Central de Flagrantes, no bairro dos Barris, ela disse à polícia que veio visitar a filha que mora na capital baiana. De acordo com o Alô Juca, a mulher informou que foi acusada por um homem após afirmar que no Distrito Federal só teria pessoas brancas.
“Eu sou uma velhinha, tenho 74 anos. Me pegaram na praia, uma idosa, eu sou de Brasília. Me acusaram porque falei que lá [no Distrito Federal só tem branco e não tem ninguém armado desse jeito. Não falei nada. Vou embora daqui de Salvador amanhã”, argumentou.
Ainda em sua chegada na delegacia, a idosa questionou a denúncia de racismo, tendo em vista que seria “neta de uma pessoa negra”.
“Em Brasília nunca ia acontecer isso. Tenho família, falei que minha avó também era preta. Como isso é racismo? Nunca na minha vida aconteceu isso. Não sou uma qualquer. Tenho emprego e trabalho. Minha filha trabalha no Banco do Brasil”, relatou.
Outros casos
Em janeiro deste ano, uma turista, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, do Rio Grande do Sul foi presa em Salvador, suspeita de cometer injúria racial contra uma comerciante que trabalhava no Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana.
De acordo com informações da Polícia Civil, a mulher teria proferido ofensas de cunho racial e cuspido na vítima durante a ocorrência.
Agentes da Polícia Militar conduziram a suspeita à unidade policial especializada. Ainda segundo a polícia, mesmo após a detenção, a mulher manteve comportamento discriminatório ao exigir atendimento exclusivo por um delegado de pele branca.
A comerciante e testemunhas foram ouvidas durante os procedimentos realizados na Decrin. Após as oitivas, a turista permanece custodiada e está à disposição do Poder Judiciário.
Gisele já visitou a capital baiana diversas vezes. Em publicações no Instagram, a suspeita, que se diz criadora de conteúdo para viajantes, diz ser "Baianucha": "Sou baianucha, sangue gaúcho, amor baiano". A gaúcha, que publica fotos na capital baiana há anos, está em Salvador pelo menos desde a Lavagem do Bonfim, e postou selfies ao lado de baianas de acarajé e Filhos de Gandhi, com legendas como: "O que é que a baiana tem" e "Salvador, meu amor".
A comerciante Hanna Rodrigues, de 26 anos, vítima do crime, contou ao Aratu On, com exclusividade, detalhes de como o ataque racista aconteceu.
Segundo Hanna, tudo começou no momento em que um grupo de clientes do bar pediu cerveja. "Quando fui até o bar, ela já estava chamando os atendentes de lixo. Peguei o produto do cliente, passei ao lado dela, e ela falou: 'Mais um lixo'. [...] Depois, eu voltei, e perguntei: 'A senhora me chamou de quê?'. E ela: 'De lixo'. E eu falei: lixo é você", relatou.
Após a discussão, Gisele se encaminhou até a porta do estabelecimento para ir embora, mas, antes de sair, se virou para trás e cuspiu na vítima. "Ela escarrou e cuspiu em mim. Eu tirei o rosto, mas o cuspe acabou pegando no meu pescoço. Me abaixei e limpei o rosto, e acabei perdendo ela de vista. Com isso, fiquei desesperada, procurando ela. Quando encontrei, ela já estava envolvida em outro conflito, com seguranças já segurando ela. [...] Ela dizia a todo tempo: 'Eu sou branca, eu sou branca', e o segurança, bem paciente, esperando o tempo dela",
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