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Três em cada quatro motoristas de aplicativo não contribuíram para a Previdência em 2025, diz IBGE

Um a cada três motoristas de carros e um a cada cinco motociclistas não contribuíram para a Previdência em 2025

Por Rosana Bomfim.

Um a cada três motoristas de carros e um a cada cinco motociclistas não contribuíram para a Previdência em 2025. Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4) mostra que apenas 34% dos trabalhadores que atuavam por meio de aplicativos ou plataformas digitais contribuíam para algum instituto oficial de Previdência no ano passado.

Apenas 1 em cada 3 trabalhadores por aplicativo contribuem com a Previdência. Foto: Reprodução Pexels

O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) e revela um cenário de alta informalidade e menor proteção previdenciária entre os chamados trabalhadores plataformizados.

No mesmo período, 72,1% desses trabalhadores estavam na informalidade, enquanto entre os ocupados do setor privado que não utilizavam plataformas digitais o índice era de 42,7%. Em julho deste ano, os motoristas por aplicativo ganham novos direitos após novo acordo.

Cerca de 2 milhões de brasileiros trabalhavam por aplicativo

Segundo o IBGE, aproximadamente 2 milhões de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos ou plataformas digitais de serviços em 2025. O número correspondia a 1,9% da população ocupada no país, que somava 102,4 milhões de pessoas.

A maior parte, cerca de 1,8 milhão de trabalhadores, utilizava os aplicativos como atividade principal. Outros 182 mil exerciam o trabalho por plataforma como atividade secundária.

O levantamento considera trabalhadores com 14 anos ou mais que utilizavam plataformas digitais para realizar atividades como transporte de passageiros, entregas e prestação de serviços.

Entre os trabalhadores plataformizados, 84,4% eram homens e 15,6% mulheres. A faixa etária de 25 a 39 anos concentrava 47% desse grupo, enquanto 62,5% tinham ensino médio completo ou superior incompleto.

Apenas 1 em cada 5 motociclistas contribuem com a previdência.

Transporte de passageiros concentra maior número de trabalhadores

O transporte de passageiros era a principal atividade entre os trabalhadores que utilizavam plataformas digitais.

Em 2025, aproximadamente 1,2 milhão de pessoas trabalhavam nesse segmento por meio de aplicativos, o equivalente a 58,9% do total de trabalhadores plataformizados.

Desse grupo, cerca de 1,1 milhão utilizavam aplicativos de transporte particular de passageiros, como Uber e 99, enquanto 232 mil trabalhavam por meio de aplicativos voltados especificamente para taxistas.

Na sequência apareciam os aplicativos de entrega de comida e produtos, utilizados por cerca de 585 mil pessoas. Desse total, aproximadamente 376 mil atuavam como entregadores.

Já os aplicativos destinados à prestação de serviços gerais ou profissionais eram utilizados por cerca de 313 mil trabalhadores, o equivalente a 16% dos plataformizados.

Motoristas de aplicativo trabalham mais e ganham menos por hora

Considerando apenas a ocupação principal, o Brasil tinha aproximadamente 2 milhões de condutores de automóveis em 2025. Desse total, 905 mil, ou 45,9%, trabalhavam por meio de aplicativos.

Os motoristas plataformizados tinham rendimento médio mensal de R$ 2.873, ligeiramente superior aos R$ 2.805 recebidos pelos condutores que não utilizavam aplicativos.

A diferença desaparece, porém, quando o rendimento é analisado por hora trabalhada. Os motoristas de aplicativo recebiam, em média, R$ 14,40 por hora, enquanto os demais condutores recebiam R$ 16.

A jornada também era maior entre os plataformizados: 45,9 horas semanais, contra 40,4 horas entre os motoristas que não utilizavam plataformas digitais. Apenas 25,5% dos motoristas de aplicativo contribuíam para a Previdência

Apenas 1 em cada 3 trabalhadores por aplicativo contribuem com a Previdência

A diferença também aparece na cobertura previdenciária.

Entre os motoristas de automóveis que trabalhavam por aplicativo, apenas 25,5% contribuíam para algum instituto oficial de Previdência em 2025. Isso significa que cerca de três em cada quatro não faziam contribuição previdenciária.

Entre os condutores de automóveis que não utilizavam plataformas digitais, a proporção de contribuintes era de 59,2%.

Quando considerados todos os trabalhadores que utilizavam aplicativos, independentemente da atividade, o percentual de contribuição previdenciária era de 34%. Trabalho por aplicativo entre motociclistas quase dobrou desde 2022. O levantamento também mostra o crescimento do trabalho por aplicativo entre os condutores de motocicletas.

Em 2025, havia aproximadamente 1,2 milhão de condutores de motocicletas no país. Desse total, 405 mil, ou 34,4%, trabalhavam por meio de aplicativos.

O número de motociclistas plataformizados cresceu 91,9% desde 2022, enquanto o total de condutores de motocicletas aumentou 22,6% no mesmo período.

Menos de 1 em cada 5 motociclistas por aplicativo contribuía para a Previdência em 2025

Entre os motociclistas que trabalhavam por aplicativo, o rendimento médio mensal era de R$ 2.221, superior aos R$ 1.802 registrados entre aqueles que não utilizavam plataformas digitais.

O rendimento por hora também era maior entre os plataformizados: R$ 11,40, contra R$ 10,10 dos demais motociclistas.

Apesar disso, a cobertura previdenciária permanecia baixa. Apenas 19,4% dos motociclistas que trabalhavam por aplicativo contribuíam para a Previdência, enquanto o percentual entre os não plataformizados era de 37,1%.

A jornada semanal também era maior entre os motociclistas plataformizados: 44,9 horas, contra 41,1 horas entre os que não trabalhavam por aplicativos.

Flexibilidade é principal motivo para trabalhar por aplicativo

A pesquisa também investigou por que os trabalhadores utilizavam plataformas digitais.

Entre aqueles que tinham o trabalho por aplicativo como atividade principal, 26,8% apontaram a flexibilidade de horário como principal motivo. Outros 24,6% afirmaram que não conseguiram encontrar outro trabalho.

Além disso, 20,8% disseram que o rendimento era maior do que em outras alternativas disponíveis, enquanto 16,6% utilizavam as plataformas para complementar a renda.

Entre os trabalhadores que exerciam a atividade por aplicativo como trabalho secundário, o principal motivo era justamente complementar a renda, resposta dada por 87,7% dos entrevistados.

Trabalho por aplicativo cresce, mas proteção social continua baixa

Os dados divulgados pelo IBGE mostram que o trabalho por meio de aplicativos já reúne cerca de 2 milhões de brasileiros, com destaque para o transporte de passageiros e as entregas.

Apesar do crescimento desse modelo de trabalho, os números apontam para uma baixa cobertura previdenciária e elevada informalidade.

Entre todos os trabalhadores plataformizados, apenas 34% contribuíam para a Previdência em 2025. Entre os motoristas de automóveis por aplicativo, o índice era ainda menor, de 25,5%, enquanto entre os motociclistas plataformizados chegava a apenas 19,4%.

O levantamento evidencia, portanto, que a expansão do trabalho por aplicativos ocorre em um cenário de jornadas mais longas e menor proteção previdenciária para uma parcela significativa desses profissionais.

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