Salvador acumula 984 mm de chuva entre março e junho deste ano
Balanço da Operação Chuva 2026 da Codesal aponta volume de chuva acima da média, mas com ausência de necessidade de evacuações preventivas
Por Dinaldo dos Santos.
A Operação Chuva 2026, realizada pela Defesa Civil de Salvador (Codesal) entre março e junho, foi encerrada com 4.933 vistorias técnicas, 2.637 atendimentos sociais e um acumulado de 984 milímetros de chuva na capital baiana, volume 1,2% acima da média histórica para o período, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Apesar de episódios de chuva intensa, não houve necessidade de acionamento das sirenes nem de evacuação preventiva de moradores em áreas de risco.
De acordo com o balanço divulgado pela Codesal, entre março e junho foram distribuídos 86.900 metros quadrados de lona plástica para proteção de encostas e áreas vulneráveis, beneficiando 625 locais. Os bairros de Sete de Abril, São Marcos e Castelo Branco concentraram o maior número de instalações.
Março tem maior volume de chuva dos últimos 4 anos
O mês de março foi o destaque da operação ao registrar 234,8 milímetros de chuva, o maior acumulado para o período nos últimos quatro anos e 59,4% acima da média histórica de 147,3 milímetros.
Na estação Liberdade – Vila Sabiá, o índice chegou a 318,6 milímetros, superando em 116,2% a média climatológica do mês.
Segundo a Codesal, as chuvas mais intensas foram provocadas pela atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), vórtices ciclônicos em altos níveis da atmosfera e ventos úmidos vindos do oceano.

Em abril, Salvador registrou 310,2 milímetros de chuva, 8,8% acima da média de 284,9 milímetros. Os maiores acumulados ocorreram na Calçada (353,6 mm), Caixa D'Água (353,2 mm) e Barra – Vila Naval (351,4 mm), influenciados por um corredor de umidade e um cavado atmosférico próximo à costa.
Já maio apresentou 209,4 milímetros de chuva, equivalente a 69,3% da média histórica de 302,2 milímetros. Em junho, o acumulado foi de 229,6 milímetros, ligeiramente abaixo da média de 237,6 milímetros, embora algumas estações, como Palestina e Barra – Vila Naval, tenham registrado índices superiores ao esperado.
O mês também foi marcado pelas maiores rajadas de vento e pelas menores temperaturas do ano. Em Valéria – Embasa, os ventos chegaram a 66,6 km/h no dia 4, enquanto na Barra – Vila Naval atingiram 61,9 km/h no dia seguinte. As menores temperaturas foram registradas nos dias 21 e 22 de junho, com 18°C em Barro Duro e 18,2°C na Praia do Flamengo.
Sirenes não precisaram ser acionadas
Mesmo com períodos de chuva intensa, os acumulados registrados nas 14 áreas monitoradas pelo sistema de sirenes da Codesal não atingiram os critérios técnicos previstos no Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC) para emissão de alertas.

Com isso, durante toda a Operação Chuva 2026 não houve necessidade de evacuações preventivas nem do acionamento do Sistema de Alerta e Alarme.
O monitoramento foi realizado pelo Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil (Cemadec), que funciona 24 horas por dia e conta com 114 estações meteorológicas distribuídas pela cidade. Durante a operação, os níveis do PPDC chegaram a ser alterados em alguns momentos, conforme as condições meteorológicas e os impactos observados.
Atendimento às famílias
Além das ações técnicas, a operação registrou aumento no atendimento social. Entre março e junho, foram realizados 2.637 atendimentos a famílias, número 30,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
As Prefeituras-Bairro de Liberdade/São Caetano, Cabula/Tancredo Neves e Subúrbio/Ilhas concentraram a maior parte das vistorias, com 894, 653 e 646 ocorrências, respectivamente.
Também foram intensificadas as inspeções em comunidades atendidas por sistemas de alerta e alarme, como Bom Juá, Calabetão e Mamede, permitindo a identificação antecipada de riscos e a orientação preventiva dos moradores.
Mais de 5 mil encaminhamentos
Durante a operação, o telefone 199 permaneceu disponível 24 horas por dia para atendimento à população. As ocorrências mais frequentes envolveram riscos de desabamento (2.346), ameaças de deslizamento (922), imóveis alagados (430) e deslizamentos de terra (289).
A Codesal também realizou 5.237 encaminhamentos para outras secretarias municipais, responsáveis por serviços como contenção de encostas, limpeza de vias e outras intervenções necessárias após as chuvas. Segundo o órgão, a integração entre os diversos setores contribuiu para reduzir os impactos provocados pelo período chuvoso na capital baiana.
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