PM preso por matar esposa foi investigado por tentativa de homicídio e atropelamento
PM preso por matar esposa teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia; entenda caso de tentativa de homicídio e atropelamento
Por Da redação.
O policial militar, João Marcelo Araújo Hermano suspeito de matar a esposa, na última sexta-feira (3), já foi denunciado por outros crimes, em Salvador. O PM está preso após ter a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada neste domingo (5). Ele é apontado por matar sua companheira, cabo Celeste Martins Oliveira do Nascimento.
Segundo apuração do AratuON, o policial já foi denunciado à Justiça por atropelamento contra dois vendedores de acarajé. De acordo com a decisão obtida pela reportagem, as vítimas foram atingidos na calçada após uma colisão causada por excesso de velocidade em um veículo conduzido por João Marcelo, em 2015. Na época, uma das vítimas atropeladas precisou amputar a perna ao ser atingida pelo carro conduzido pelo PM.
A sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos de indenização foi proferida em 9 de abril de 2025. Na época, o juiz responsável pelo caso apontou que reconheceu a responsabilidade civil do condutor, destacando a gravidade das lesões causadas pelo atropelamento.
O judiciário baiano determinou ainda o pagamento de indenizações por danos morais, estéticos e materiais, além do fornecimento de uma prótese, para a vítima com a perna amputada. A seguradora foi acionada no processo para ressarcir o réu nos limites da apólice, consolidando a reparação dos danos causados.
Mesmo sendo condenado ao pagamento de idenização, a seguradora (Yelum Seguros S.A.) foi obrigada a ressarci-lo pelos valores da condenação, respeitando os limites da apólice.
PM preso por matar esposa é citado em investigação sobre tentativa de homicídio
O policial militar, João Marcelo Araujo Hermano, também foi citado em outro crime, desta vez relacionado a agressão. O agente foi citado em um inquérito policial militar no estado da Bahia. A investigação, acessada pelo site, buscava apurar um caso de agressão física cometida por policiais no dia 25 de fevereiro de 2020.
A vítima foi identificada como Esaú dos Santos Araújo. Além de João, outro policial citado foi Moises Medina Travessa de Souza, junto com outro investigado.
Apesar de as lesões terem sido comprovadas, o Ministério Público recomendou o encerramento do caso por falta de provas que ligassem os ferimentos à conduta dos agentes. O magistrado acolheu esse parecer, fundamentando que a ausência de justa causa impede o prosseguimento de uma ação penal formal. Assim, o processo foi oficialmente finalizado e registrado em abril de 2023.
Além deste caso, o policial foi citado também por outro crime na Ilha de Itaparica. Na época, um inquérito policial foi aberto para investigar a conduta de policiais militares em um incidente que envolvia a suposta prática de um crime contra uma vítima, que não teve o nome revelado. João e outros seis policiais, foram citados em um inquérito que investigou "ânimo de matar" (tentativa de homicidio) ou se apenas revidaram uma "injusta agressão da vítima", agindo em legítima defesa.
No entanto, a prova técnica produzida não forneceu elementos suficientes para sustentar uma versão diferente da apresentada pelos policiais. Por conta disso, foi concluido que não havia indícios razoáveis do cometimento de infração penal pelos agentes.
Diante da "impossibilidade de oferecimento da denúncia por falta de justa causa", o Ministério Público requereu o arquivamento do caso. Em 27 de maio de 2024, a Juíza de Direito Alcina Mariana da Silva Goes Martins determinou o arquivamento do feito, ressalvando que a investigação pode ser reaberta caso surjam novas provas.
Sobre o caso da morte da própria esposa
O crime ocorreu na noite de sexta-feira (3). Conforme a investigação, a vítima foi encontrada morta dentro do imóvel do casal, com marcas de disparos de arma de fogo. Após o ocorrido, o suspeito deixou o local, mas horas depois compareceu ao DHPP.
Em nota, a Polícia Civil informou que a prisão foi realizada pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS). Segundo a corporação, diligências continuam sendo realizadas, além da coleta de depoimentos e outras provas, para esclarecer completamente as circunstâncias do crime. Guias para perícia e remoção do corpo também foram expedidas.
Em nota, a PM lamentou a morte da cabo Celeste Martins Oliveira do Nascimento, manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda e reafirmou o compromisso da instituição com a legalidade, a preservação da vida e a rigorosa apuração dos fatos.
Celeste e o suspeito integravam os quadros da Polícia Militar da Bahia e atuavam na área de inteligência da corporação. A cabo era lotada na estrutura da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Parceiros ou exes são responsáveis por 72,9% dos feminicídios na Bahia
Além deste caso, a Bahia tem registrado um aumento no número de episódios envolvendo tentativa de feminicídios. De acordo com o levantamento Rede de Observatórios da Segurança, divulgado em março deste ano, a Bahia registrou 240 casos de violência contra mulheres em 2025, número que representa uma redução de 6,6% em relação ao ano anterior. O estudo também aponta lacunas na identificação das vítimas: em 85% das ocorrências não havia informação sobre raça ou cor.
Nos casos de feminicídio registrados no estado, 72,9% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, segundo o relatório. O boletim analisa ocorrências registradas em nove unidades da federação monitoradas pela organização: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
No total, foram registrados 4.558 casos de violência contra mulheres nesses estados ao longo de 2025, um aumento de 9% em comparação com 2024. O estudo destaca ainda que, em média, ao menos 12 mulheres foram vítimas de violência por dia.
O relatório também aponta crescimento nos casos de violência sexual. Os registros passaram de 602 para 961 ocorrências em um ano, o que representa uma alta de 56,6%. Mais da metade das vítimas (56,5%) eram crianças e adolescentes de até 17 anos. Segundo o estudo, companheiros ou ex-companheiros foram responsáveis por 78,5% das agressões registradas.
No período analisado, foram contabilizadas 1.004 mortes de mulheres nos estados monitorados, incluindo homicídios, feminicídios e transfeminicídios. Desse total, 546 casos foram classificados como feminicídio e sete como transfeminicídio.
De acordo com a Rede de Observatórios da Segurança, os dados são produzidos a partir do monitoramento diário de notícias publicadas na imprensa sobre violência e segurança pública. As informações são coletadas em diferentes fontes, comparadas e registradas em um banco de dados, que passa por revisão antes da consolidação final.

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