PF mira esquema no INSS que prorrogava benefícios de forma ilegal na Bahia
Operação da PF que mira esquema no INSS cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Salvador, Nazaré e Vera Cruz, na Bahia
Por Dinaldo dos Santos.
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) a Operação Colina para desarticular um esquema de fraudes na manutenção e prorrogação indevida de benefícios previdenciários por incapacidade.

Foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Salvador, Nazaré e Vera Cruz, na Bahia, expedidos pela 17ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária da Bahia.
Segundo as investigações, iniciadas a partir de relatórios da Coordenação de Inteligência Previdenciária (COINP/MPS), um servidor do INSS em Salvador é suspeito de realizar remarcações e adiamentos indevidos de perícias médicas.
As manobras impediriam a avaliação dos segurados por peritos oficiais, permitindo a continuidade irregular do pagamento de auxílios-doença.
A apuração identificou ainda casos de adiamentos justificados de forma falsa, como “falta de atendimento médico”, mesmo com o funcionamento normal das unidades no dia.
A análise de dados e quebras de sigilo bancário apontou movimentações financeiras suspeitas. A PF suspeita que intermediários recebiam valores de beneficiários e repassavam parte dos recursos ao servidor responsável pelas alterações nos sistemas do INSS.

Os investigados podem responder por inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva e outros crimes que possam ser identificados ao longo do inquérito.
O material apreendido será periciado para dimensionar o prejuízo aos cofres públicos e identificar possíveis novos envolvidos no esquema.
Mais esquemas com o INSS
No mês passado, o empresário Maurício Camisotti assinou uma delação premiada com a Polícia Federal (PF) e admitiu o esquema de fraudes no INSS para desconto indevido de aposentados e pensionistas.
As investigações apontam que o esquema de fraudes no INSS funcionou entre 2019 e 2024 e pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões.
Segundo a Polícia Federal, a estrutura operava em três frentes: a criação de associações de fachada, o pagamento de propina a servidores para obtenção de dados de beneficiários e o uso de assinaturas falsificadas para autorizar descontos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas.
O filho do empresário, Paulo Camisotti, foi um dos alvos da CPMI do INSS e compareceu à comissão em fevereiro na condição de testemunha.
O entendimento dos congressistas era de que a família Camisotti, com Paulo atuando como herdeiro, teria movimentado quantidades de dinheiro significativamente maiores que o "Careca do INSS". Ele permaneceu em silêncio ao ser questionado sobre a relação que mantinha com as mais de 20 empresas em que aparece como presidente ou representante, como a Rede Mais Saúde, que recebeu recursos milionários da Ambec.
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