Julgamento de acusados de matar Mãe Bernadete é adiado
Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador
Por Matheus Caldas.
Marcado para esta terça-feira (24), o júri popular que julgaria dois acusados de matar a líder quilombola Mãe Bernadete foi adiado e remarcado para o dia 13 de abril. Segundo apuração do Aratu On, a alteração se deu após pedido da defesa dos réus.
Hoje, seriam julgados Marílio dos Santos, apontado pelo Ministério Público da Bahia como mandante do crime e chefe do tráfico na região, e Arielson da Conceição Santos, indicado como um dos executores.
Segundo apuração da reportagem, o adiamento foi solicitado pela defesa dos acusados. O pedido foi realizado pelo fato de os advogados que defendem os réus terem assumido recentemente o caso, antes sob a tutela da Defensoria Pública do Estado. Os novos representantes alegaram não terem tido tempo hábil para analisar a íntegra do processo.

Acusados pela morte de Mãe Bernadete vão a júri popular
O assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira teria tido como mandante Marílio dos Santos. Ele é investigado e apontado, pelo MP-BA, como liderança do tráfico de drogas na região. Já Arielson da Conceição Santos foi identificado como um dos executores. Ambos respondem por homicídio qualificado.
Conforme a denúncia, o assassinato teria sido praticado por motivo torpe, com uso de meio cruel, mediante recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima e com emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, Arielson também foi denunciado por roubo.
Outros três acusados no processo — Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus — serão submetidos a julgamento em datas que ainda serão definidas.
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Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, na sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, município da Região Metropolitana de Salvador. No momento do crime, três netos da vítima — de 12, 13 e 18 anos — estavam no imóvel.
Segundo as investigações da “Operação Pacífico", conduzida pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e da 7ª Promotoria de Justiça de Simões Filho, a líder religiosa foi atingida por 25 disparos dentro da própria residência.
As apurações indicam que a motivação do homicídio estaria ligada à postura firme de Mãe Bernadete contra o avanço do tráfico de drogas no território quilombola.
Ainda neste mês, familiares da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, receberam uma indenização após firmarem um acordo com o Estado da Bahia pela morte da líder, assassinada em agosto de 2023, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. O valor pago não foi divulgado em razão de uma cláusula de confidencialidade.
À época do crime, Mãe Bernadete estava sob proteção da Polícia Militar, por meio da própria SJDH, havia pelo menos dois anos em razão de ameaças recorrentes. Segundo a defesa da família, os riscos enfrentados pela liderança eram de conhecimento das autoridades.

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