Homem é condenado a quase 60 anos de prisão pela morte de líder quilombola desaparecida na Bahia
Corpo da líder quilombola Tainara dos Santos, que desapareceu no dia 9 de outubro em Cachoeira, na Bahia, nunca foi encontrado
Por Ananda Costa.
O homem acusado pelo assassinato da líder quilombola Tainara dos Santos foi condenado a 59 anos, 11 meses e 24 dias de prisão pelo Tribunal do Júri de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Ela desapareceu em 9 de outubro de 2024 e, desde então, seu corpo nunca foi localizado.

George Anderson Santos da Silva, conhecido como “Dandan”, foi considerado culpado, por maioria dos votos dos jurados, pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver, ameaça, extorsão e porte ilegal de arma e munição.
O julgamento começou na quarta-feira (19) e terminou na madrugada desta quinta-feira (20). A acusação foi sustentada pelos promotores de Justiça Audo Rodrigues e Luciano Assis, do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA).
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 300 mil como valor mínimo para reparação dos danos sofridos pelas vítimas e seus sucessores.
Líder quilombola desapareceu em outubro de 2024
Tainara dos Santos era líder quilombola e mãe de duas crianças. Ela desapareceu em 9 de outubro de 2024 e, desde então, seu corpo nunca foi localizado.
De acordo com a denúncia do MPBA, Tainara e George Anderson mantiveram um relacionamento por cerca de cinco anos e tiveram uma filha, que tinha dois anos na época do crime. Segundo a acusação, a relação era marcada por episódios de violência física e psicológica.
As investigações apontaram que Tainara relatava as agressões e manifestava o desejo de terminar o relacionamento. Após a separação, conforme a denúncia, George Anderson não teria aceitado o fim da relação e passou a perseguir a ex-companheira, usando a filha do casal como justificativa para manter contato com ela.
Diante do histórico de violência e das ameaças, Tainara solicitou uma medida protetiva de urgência, que foi concedida pela Justiça. A determinação estabelecia o afastamento do acusado e buscava garantir a proteção da vítima e de seus familiares.
Segundo o MPBA, no entanto, George Anderson descumpriu a medida diversas vezes.
Tainara foi vista pela última vez no dia do desaparecimento

Ainda conforme a denúncia, no dia 9 de outubro de 2024, quando foi vista pela última vez, Tainara teve novamente a medida protetiva descumprida pelo acusado.
George Anderson teria coagido a vítima, mediante grave ameaça, a assinar um contrato relacionado à divisão de um imóvel. Em seguida, segundo a acusação, ele a levou em seu veículo.
Desde então, a líder quilombola não foi mais vista e seu corpo nunca foi encontrado.
A condenação reconheceu a responsabilidade de George Anderson pelos crimes denunciados e encerra a fase do Tribunal do Júri com uma pena de quase 60 anos de prisão.
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