Delegado é baleado e dois suspeitos morrem em confronto na Bahia

Operação que deixou delegado baleado e dois suspeitos mortos mirava facção BDM em Itabela, no extremo sul da Bahia

Por Anna Caroline Santiago.

Um delegado da Polícia Civil foi baleado e dois suspeitos morreram durante um confronto ocorrido na manhã desta terça-feira (20), no distrito de Montinho, em Itabela, no extremo sul da Bahia. A ação fazia parte de uma operação contra integrantes da facção criminosa Bonde do Maluco (BDM), investigada por envolvimento em homicídios e tráfico de drogas em Eunápolis e região.

A operação tinha como objetivo localizar suspeitos de participação nos assassinatos de Carlos Daniel Souza Cunha, de 18 anos, morto em 30 de dezembro, e de Jhonatan Gustavo Santos Oliveira, de 24, assassinado em 12 de novembro. Ambos os crimes ocorreram no bairro Doutor Gusmão, em Eunápolis.

Delegado é baleado e dois suspeitos morrem em confronto na Bahia.Foto: Polícia Civil da Bahia

Ao chegarem ao endereço indicado em Montinho, os policiais cercaram o imóvel e anunciaram a abordagem, mas foram recebidos a tiros. Houve troca de disparos, e um delegado da Polícia Civil acabou sendo atingido. Ele recebeu atendimento médico, está em estado de saúde estável e não corre risco de morte.

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Investigação

Durante o confronto, dois suspeitos foram baleados. Eles foram identificados como Edcarlos Silva dos Santos e Lucas Gabriel Novais Oliveira, conhecidos pelos apelidos de “Playboy” e “Gringo”. Eles chegaram a ser socorridos e encaminhados ao Hospital de Itabela, onde não resistiram.

No local da ação, os agentes apreenderam armas de fogo, incluindo uma submetralhadora e um revólver, além de aparelhos de comunicação. Todo o material foi encaminhado à unidade policial para a adoção das medidas legais cabíveis.

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As diligências continuam em andamento, com o objetivo de identificar e localizar outros integrantes do grupo criminoso investigado.

Foto: PCBA

Bahia é segundo estado mais violento do Brasil

A Bahia apareceu como o segundo estado mais violento do Brasil em 2024, de acordo com dados do Anuário de Segurança Pública. De acordo com o ranking, o Amapá lidera a lista dos estados mais violentos do Brasil, com uma taxa de 45,1 mortes por 100 mil habitantes. Em seguida, aparecem a Bahia (40,6), Ceará (37,5), Pernambuco (36,2) e Alagoas (35,4).

Facções criminosas e o poder de Estado

O professor Luciano Pontes, especialista em Direito Penal e Segurança Pública, destaca que essa expansão das facções nacionais ocorre num cenário marcado pela ausência do Estado em áreas periféricas:

“Salvador apresenta bairros periféricos grandes, em relevos acidentados, com população carente em extrema pobreza. O crime organizado adentra e acaba fazendo o papel do Estado, ordenando o território e impondo suas próprias leis, contrariando o Estado democrático de direito.”

Pontes ainda menciona como os criminosos já se organizam como Estado, a exemplo do “Tribunal do Crime”, onde os próprios aliados fazem juízo de valor das ações dos integrantes. 

Antes da chegada do Comando Vermelho, a facção Comando da Paz, criada em 2007 no Presídio Salvador, tornou-se, em meados de 2020, uma célula do CV, segunda maior organização criminosa do país, que surgiu na década de 1970 no Rio de Janeiro.

Por outro lado, o BDM, conhecido pelas ruas da capital em 2010, como Caveira - foi uma das facções mais antigas da Bahia, entrando em declínio após a morte de seu líder em 2019. Atualmente, possui aliança com o TCP, terceira maior facção do Rio de Janeiro.

O professor Luciano Pontes explica a lógica por trás dessas alianças a partir das ramificações do sistema criminal, e como as organizações “encontraram no Nordeste um terreno fértil ao se aliarem às facções locais”. 

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