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Carteira de trabalho atribuída ao CV traz suposta assinatura de Cláudio Campanha

Carteira de trabalho atribuída ao CV circula nas redes sociais após soltura de Cláudio Campanha

Por Da redação.

Apontado como fundador da facção Comando da Paz (CP), que atuava em Salvador, Cláudio Campanha foi solto nesta semana. Além da saída do sistema prisional, uma imagem que circula nas redes sociais chama atenção por apresentar uma carteira de trabalho com o nome e a suposta assinatura do criminoso, indicando um possível vínculo empregatício com o Comando Vermelho (CV).

Imagem de suposta carteira de trabalho assinada pelo Comando Vermelho (CV). Foto: Redes Sociais

Na imagem, suposto empregador aparece identificado como “Comando Vermelho”, com o endereço “Base do Boqueirão”, no município de Salvador. O cargo registrado seria de “vendedor externo”, com bonificação de R$ 500 por semana. Ao final do documento, aparece uma assinatura identificada como “Claudio Campanha”.

Quem é Cláudio Campanha

Cláudio Campanha foi preso em novembro de 2008, em um sítio localizado em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza, no Ceará. A prisão ocorreu durante uma ação conjunta das forças de segurança do Ceará e da Bahia.

Após a prisão, ele passou por presídios federais de segurança máxima, incluindo unidades em Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR). Posteriormente, também foi transferido para unidades prisionais na Bahia, entre elas a Colônia Penal Lafayete Coutinho (CPLC), em Salvador.

O investigado é apontado como fundador da facção Comando da Paz, que surgiu dentro do sistema prisional baiano e ganhou força em Salvador principalmente entre os anos 2000 e 2010. A organização criminosa chegou a exercer influência em bairros como Cosme de Farias e Nordeste de Amaralina.

Cláudio Eduardo Campanha, apontado como fundador do Comando da Paz (CP), foi solto. Foto: Reprodução

Facção pode assinar carteira de trabalho?

Apesar da circulação da imagem nas redes sociais, o suposto registro não teria validade como vínculo empregatício. Segundo a Seção de Proteção ao Trabalhador da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia (SRTE-BA), o documento apresenta fortes indícios de não corresponder a um vínculo trabalhista válido.

O Aratu On identificou a imagem e consultou a Seção de Proteção ao Trabalhador da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego na Bahia (SRTE-BA) sobre a validade do documento. Segundo o setor técnico, há fortes indícios de que o suposto registro não corresponda a um vínculo empregatício válido.

Na imagem, o suposto contrato teria início em 2019, com a função de “vendedor externo” e remuneração de R$ 500 por semana. O documento também apresentaria uma suposta assinatura de Cláudio Campanha.

À reportagem, a Seção de Proteção ao Trabalhador da SRTE-BA classificou o conteúdo como suspeito. “A imagem me parece fake news, de tão absurda que é”, informou o setor técnico.

O órgão explicou ainda que uma organização criminosa não possui personalidade jurídica reconhecida pelo Estado e, por isso, não pode ser considerada empregadora nos termos da legislação trabalhista. Dessa forma, um eventual registro feito em nome de uma facção criminosa não teria validade como vínculo formal de trabalho.

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